Preste Atenção nas Minhas Unhas

Medo

O texto possui  conteúdo sexual, violência e linguagem que pode ser considerada ofensiva.

Cassandra não podia ficar sozinha. Nas últimas seis semanas dividiu seu esforço entre duas coisas. Primeiro, evitar portas abertas, espelhos, janelas, gavetas, qualquer fresta por onde ele pudesse entrar. Em segundo lugar, Cassandra se esforçava para ter sempre alguém por perto. Ia para o trabalho de carona com amigas, ou de táxi. Tomava café e almoçava com as amigas, que de certa forma já à evitavam por causa de seu comportamento obsessivo e de  sua presença quase ininterrupta.

Na primeira semana conseguiu garantir um homem que à levasse para casa todos os dias, e conseguiu ser levada para a cama cada uma dessas noites. Depois disso o homem de alguma forma se cansou. Começava a gostar dela, mas suas manias, suas regras, seu desespero o assustaram. Não pôde aguentar. Cassandra então teve que passar a se ofereceu à todos os homens do escritório, no começo de forma sutil, sendo que no meio da terceira semana já era conhecida como transa fácil do escritório. A maluca que vai abrir as pernas pra você se você sorrir e piscar pra ela. Ler mais

Minha Comédia

Sombra

Linguagem e temas no texto podem ser considerados ofensivos.

O quarto estava quase completamente escuro quando acordei, a única luz era a luz fraca que vinha da lua que entrava pela janela atravessando a fina cortina. Em frente ao meu armário uma figura com mais de dois metros, parada, me observava. Ela não tinha olhos, na verdade sequer possuía um rosto. Seu semblante era uma mascara branca com uma língua de uns trinta centímetros se contorcendo e pregada no lugar onde deveria haver uma boca. Após um tempo observando, enquanto meus olhos se adaptavam a falta de luz, percebi que aquilo não era exatamente uma língua. Ao longo daquela coisa, pequenas pernas de centopéia, dezenas delas, e em sua ponta um ferrão.

Eu não senti medo nem ao menos um momento e prontamente perguntei “Quem é você?” Ler mais

Meus Olhos

Destaques

Relógio
Eu não sei como cheguei aqui.

O ambiente está escuro demais, e tem essa sensação, essa claustrofobia, que torna difícil a respiração, o movimento. Não é um ambiente totalmente estranho, mas é diferente desta vez.

Eu demoro bastante tempo, mas percebo que a razão de estar escuro são meus olhos fechados. Com esforço eu começo a forçar para que abram. A resposta são luzes vermelhas que  piscam, me cegando de tempo em tempo num grande clarão. Uma música surge aos poucos, aumentando de volume, até quase estourar meus tímpanos. Quando consigo manter meus olhos abertos e me acostumo com a luz e a música, vejo uma gigantesca mão branca vindo em minha direção, como se fosse me esmagar. Cada um dos sulcos que correm por aquelas mãos está totalmente claro e bem definido, deixando claro que ao ser esmagado as marcas ficarão lá. Ler mais

Sombra

Garota
Linguagem e temas no texto podem ser considerados ofensivos.

Eu preciso contar a história de como cheguei até aqui. É uma última coisa que tenho que fazer. Tenho que deixar um lembrete de que eu sou a verdadeira, de que eu sou original e única, e estava aqui antes de tudo isso.

Imagine que você é uma garota normal de 16 anos. Imagine que é sábado e você passa o dia todo na Internet, conversando com pessoas sem rosto, sem nomes, pessoas que buscam ter o nome, o rosto que quiserem, uma versão exagerado do mundo não-virtual.

Bem, você conheceu essa garota à duas semanas, 16 anos também, tantos gostos em comum que chega a ser absurdo. Até mesmo o idêntico avatar da cantora que você mais gosta. Você diria que ela é sua irmã. Uma vez alguém me disse que irmãs sentem vontade de matar uma à outra. Bem, são tantas coincidências que você passa a acreditar em destino.

Você ainda não viu o rosto dessa garota, mas, morando na mesma cidade e tendo tanto a compartilhar, vocês marcam de se encontrar no shopping mais próximo. Vocês marcam de usar uma camisa da sua boyband preferida para que possam se reconhecer.

Você chega um pouco mais cedo e fica um pouco distante do local combinado. Você não quer admitir isso, mas sente medo de que a outra garota seja uma gorda horrenda ou uma brincadeira de alguém. Ler mais