– Angel do Massive Attack é a melhor música para ser assassinado que existe.
– Só se for um assassinato em câmera lenta.
– Acho que Angel é a melhor música para morrer de forma geral.
– Só se for em câmera lenta.– eu respondo.
– Muitos momentos da vida seriam melhores em câmera lenta.– ela diz pegando uma batata de um saco de fritas e mordendo metade dela assim que termina de falar.
Ela aponta a metade restante da batata pra mim.
– Eu consigo me imaginar perfeitamente– começa a falar com uma voz suave– mergulhada numa imensidão azul. A superfície bem acima de mim e eu descendo. Por mais que eu me sinta segura quanto a minha morte agora, eu sei que eu lutaria para sobreviver, eu me debateria criando bolhas que subiriam até a superfície, aquela mesma que eu não consigo alcançar. Então, depois de um tempo, iria acabar. Meu corpo inerte continuaria afundando, agora sem vida. Meus cabelos ondulando. O breu me consumindo. Continue lendo







