Anjo

Angel do Massive Attack é a melhor música para ser assassinado que existe.

– Só se for um assassinato em câmera lenta.

– Acho que Angel é a melhor música para morrer de forma geral.

– Só se for em câmera lenta.– eu respondo.

– Muitos momentos da vida seriam melhores em câmera lenta.– ela diz pegando uma batata de um saco de fritas e mordendo metade dela assim que termina de falar.

Ela aponta a metade restante da batata pra mim.

– Eu consigo me imaginar perfeitamente– começa a falar com uma voz suave– mergulhada numa imensidão azul. A superfície bem acima de mim e eu descendo. Por mais que eu me sinta segura quanto a minha morte agora, eu sei que eu lutaria para sobreviver, eu me debateria criando bolhas que subiriam até a superfície, aquela mesma que eu não consigo alcançar. Então, depois de um tempo, iria acabar. Meu corpo inerte continuaria afundando, agora sem vida. Meus cabelos ondulando. O breu me consumindo. Continue lendo

Preste Atenção nas Minhas Unhas

Medo

O texto possui  conteúdo sexual, violência e linguagem que pode ser considerada ofensiva.

Cassandra não podia ficar sozinha. Nas últimas seis semanas dividiu seu esforço entre duas coisas. Primeiro, evitar portas abertas, espelhos, janelas, gavetas, qualquer fresta por onde ele pudesse entrar. Em segundo lugar, Cassandra se esforçava para ter sempre alguém por perto. Ia para o trabalho de carona com amigas, ou de táxi. Tomava café e almoçava com as amigas, que de certa forma já à evitavam por causa de seu comportamento obsessivo e de  sua presença quase ininterrupta.

Na primeira semana conseguiu garantir um homem que à levasse para casa todos os dias, e conseguiu ser levada para a cama cada uma dessas noites. Depois disso o homem de alguma forma se cansou. Começava a gostar dela, mas suas manias, suas regras, seu desespero o assustaram. Não pôde aguentar. Cassandra então teve que passar a se ofereceu à todos os homens do escritório, no começo de forma sutil, sendo que no meio da terceira semana já era conhecida como transa fácil do escritório. A maluca que vai abrir as pernas pra você se você sorrir e piscar pra ela. Ler mais

Minha Comédia

Sombra

Linguagem e temas no texto podem ser considerados ofensivos.

O quarto estava quase completamente escuro quando acordei, a única luz era a luz fraca que vinha da lua que entrava pela janela atravessando a fina cortina. Em frente ao meu armário uma figura com mais de dois metros, parada, me observava. Ela não tinha olhos, na verdade sequer possuía um rosto. Seu semblante era uma mascara branca com uma língua de uns trinta centímetros se contorcendo e pregada no lugar onde deveria haver uma boca. Após um tempo observando, enquanto meus olhos se adaptavam a falta de luz, percebi que aquilo não era exatamente uma língua. Ao longo daquela coisa, pequenas pernas de centopéia, dezenas delas, e em sua ponta um ferrão.

Eu não senti medo nem ao menos um momento e prontamente perguntei “Quem é você?” Ler mais

Amanda – 06

GavetasÍndice
–Me acompanhe.– disse ela seguindo pelo corredor por onde outrora desejei segui-la.

Dessa vez não contive meu desejo e caminhei logo atrás dela, lentamente enquanto imaginava que estávamos indo para o quarto dela. Mais uma vez tentando fugir dos meus pensamentos irracionais, pensei que estávamos indo para a cozinha. Passamos pela cozinha e não entramos. Pensei que talvez ela quisesse que um homem arrumasse algo no banheiro, mas vi que passamos por ele também. Restavam duas portas no final do corredor, uma obviamente era o quarto dela, a outra eu não conseguia imaginar o que era. Não importa o que fosse essa outra porta, imaginei que ela estava me levanto pra lá. Contendo meus pensamentos felizes e delirantes, pensei que aquilo era um escritório, vendo que ainda assim, pensamentos impuros batiam sobre a minha mente, pensei que aquele era um matadouro e que a partir daquele dia ninguém nunca mais me veria ao menos vivo, ou talvez ainda com todos os meus membros. Ainda assim os pensamentos impuros ficaram pulando e festejando em minha mente. Ler mais

Meus Olhos

Destaques

Relógio
Eu não sei como cheguei aqui.

O ambiente está escuro demais, e tem essa sensação, essa claustrofobia, que torna difícil a respiração, o movimento. Não é um ambiente totalmente estranho, mas é diferente desta vez.

Eu demoro bastante tempo, mas percebo que a razão de estar escuro são meus olhos fechados. Com esforço eu começo a forçar para que abram. A resposta são luzes vermelhas que  piscam, me cegando de tempo em tempo num grande clarão. Uma música surge aos poucos, aumentando de volume, até quase estourar meus tímpanos. Quando consigo manter meus olhos abertos e me acostumo com a luz e a música, vejo uma gigantesca mão branca vindo em minha direção, como se fosse me esmagar. Cada um dos sulcos que correm por aquelas mãos está totalmente claro e bem definido, deixando claro que ao ser esmagado as marcas ficarão lá. Ler mais

Coisas Interessantes

Ela
Eu cheguei ao shopping para me encontrar com ela ao meio-dia.

Ela já estava lá, sentada em uma mesa em frente a uma loja da franquia famosa de fast food.

Calmamente, sem pressa alguma, andei em sua direção numa linha reta. Isso a fez perceber quem era eu. Esse era nosso primeiro encontro em carne viva, embora já nos falássemos há bastante tempo.

Pessoalmente não tenho certeza de porque aceitei aquilo, eu não estava com cara de quem queria sair, eu não havia feito a barba e mal havia passado a camisa. Mais tarde eu notei que ela percebeu tudo isso, e me deu medo a forma como ela sorria disfarçadamente, com a extremidade direita dos lábios minimamente levantada. Estranhamente essa pequena alteração nos lábios fazia com que seus olhos me deixassem ainda mais incomodado. Eu não sou o tipo de pessoa que fica olhando para os olhos dos outros, mas assim que os vi, não consegui parar de olhar para eles. Eles se destacavam. Eu diria que é a coisa que chama mais atenção nela, mas eu estaria sendo bastante hipócrita. Na verdade, quando cheguei, não pude deixar de notar nos seios dela. Ela estava com uma camisa justa e roxa, e tinha um grande decote lá na frente que fazia os peitos dela parecerem ainda maiores. Eu não sou o tipo de pessoa que fica olhando para os peitos de uma mulher assim, mas assim que os vi, não pude parar de olhar para eles. Até um momento que achei aquilo tão idiota, que tive que dizer algo. Ler mais