Maia

Destaques

Apesar de não ser necessária, é recomendada a leitura deste texto antes de ler esse.

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Nem todo mundo é dotado de uma habilidade para transformar o que está sentindo, de dar sentindo, de admitir o que se sente. Por esse último motivo, Maia na última semana bebeu mais do que no mês anterior inteiro.

Trabalhou normalmente, como se nada houvesse acontecido. Mas assim que chegava em casa, enchia o primeiro copo. Acordava no dia seguinte acabada. Assumia sempre que era pela bebida, e ia trabalhar com a dita ressaca. Não era uma coisa incomum para ela, mesmo antes do que aconteceu. Continue lendo

Alice


A cozinha hoje parecia mais suja que o normal, os moveis cinzas espalhados, as janelas manchadas e cheias da fuligem que não permitia a entrada de quase nenhuma da luz daquela manhã, dando ao ambiente um tom fosco. A chaleira esquentava no fogo baixo lentamente, de modo que quase não podia ser percebida.

O piso de madeira velha rangeu com os passos de Maia enquanto ela cambaleava do quarto para a cozinha. Estava descabelada e com a mesma roupa do dia anterior, agora toda amarrotada. O efeito da bebedeira agora doía em sua cabeça. As imagens insistiam pela não estaticidade, uma somatória da ressaca, e do desconforto natural dos primeiros momentos do dia. Ler mais