Café, Cigarros, Sexo e um Triturador de Lixo ou Uma Manhã Qualquer

Linguagem e temas no texto podem ser considerados ofensivos.

Uma manhã bem quente e agradável. O vento sopra suavemente de forma que não me meléco toda com suor nem meu cabelo não fica embolado com nós impossíveis de desfazer. Pessoas tomam seus sucos e lanches saudáveis ao meu redor enquanto desfruto de um café amargo e um bom cigarro. Ali largados sobre a mesa tenho um jornal, uma revista de moda e meu celular, além do meu amado maço de cigarros e do cinzeiro.

Realmente não me incomodo de esperar, estou até aproveitando isso.

Homens gordos e mulheres cheias de estrias passam correndo vez ou outra a minha frente, mas logo adiante, na praia, um grupo de homossexuais bem esculpidos joga vôlei.

Eu até ensaio algo parecido com um sorriso.

Pego mais um cigarro no maço e então um isqueiro aceso se estende pra mim. Continue lendo

Maia

Destaques

Apesar de não ser necessária, é recomendada a leitura deste texto antes de ler esse.

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Nem todo mundo é dotado de uma habilidade para transformar o que está sentindo, de dar sentindo, de admitir o que se sente. Por esse último motivo, Maia na última semana bebeu mais do que no mês anterior inteiro.

Trabalhou normalmente, como se nada houvesse acontecido. Mas assim que chegava em casa, enchia o primeiro copo. Acordava no dia seguinte acabada. Assumia sempre que era pela bebida, e ia trabalhar com a dita ressaca. Não era uma coisa incomum para ela, mesmo antes do que aconteceu. Continue lendo

Alice


A cozinha hoje parecia mais suja que o normal, os moveis cinzas espalhados, as janelas manchadas e cheias da fuligem que não permitia a entrada de quase nenhuma da luz daquela manhã, dando ao ambiente um tom fosco. A chaleira esquentava no fogo baixo lentamente, de modo que quase não podia ser percebida.

O piso de madeira velha rangeu com os passos de Maia enquanto ela cambaleava do quarto para a cozinha. Estava descabelada e com a mesma roupa do dia anterior, agora toda amarrotada. O efeito da bebedeira agora doía em sua cabeça. As imagens insistiam pela não estaticidade, uma somatória da ressaca, e do desconforto natural dos primeiros momentos do dia. Ler mais

Conflito

Cadeira

Sentado numa dura cadeira de madeira, ele passou as ultimas duas horas tocando o mesmo acorde num velho violão preto. De tempo em tempo ele repetia o mesmo acorde. Na boca um cigarro apagado. Seus olhos focavam uma grande mancha marrom na parede branca. Ao seu lado um isqueiro morto, vazio, e bitucas de cigarro, dezenas dela. Seus pés descalços tocavam o chão frio. Usava uma calça preta e uma camisa social desabotoada, também preta. O frio realmente não o incomodava.

A campainha tocou. Ele tocou mais uma vez aquele mesmo acorde. A campainha tocou mais uma vez, e enquanto uma lagrima se formava em seus olhos, ele tocou mais uma vez aquele acorde. Na terceira vez ele jogou o violão sobre um colchão que ficava entre a cadeira e a parede, diretamente sobre o chão, se levantou, esfregou o olho com a manga da camisa, colocou o cigarro no bolso, e foi atender a porta. Ler mais