Carta

Eles estavam no quarto dela. Estavam falando sobre o passado. De vez em quando ele até ria de alguma coisa. Tudo estava muito bem. Talvez por isso ao olhar para uma pasta rosa, meio escondida em baixo de outras pastas, ele não tenha se contido em perguntar o que havia nela, mesmo sabendo que poderia estar invadindo.

–Eu confio em você, vou lhe mostrar.– ela disse enquanto movia a pilha de pastas para pegar aquela em especial. Continue lendo

Amanda – 08

CamaÍndice

Antes de sair para atender a porta, ela agachou-se e pós novamente a carta na gaveta, fechando e a trancando com a chave logo em seguida. Saiu então pela porta quase correndo, me deixando com aquela sensação de esquecimento, sem saber se deveria segui-la ou esperar no quarto. Como ficar sozinho no quarto de uma mulher é uma situação que acho muito intima e invasiva, resolvi segui-la até o final do corredor que dava na sala.

Quando cheguei lá ela já estava abrindo a porta. Era uma carteira, que lhe entregou um punhado de cartas. Não posso deixar de mencionar aqui que o fato do carteiro sequer passar na minha casa, e da mulher carteira tocar a campainha dela e entregar as cartas pessoalmente, me irritou profundamente. Cheguei a conclusão que elas eram conhecidas, e isso diminuiu minha irritação. Aliás, esse foi um dos pensamentos mais concretos que tive durante esse dia, mas foi logo seguido por uma fantasia de que ela pertencia a uma misteriosa sociedade secreta milenar de carteiros. Ler mais

Amanda – 04

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Enquanto corríamos, eu pensava sobre como minha tortura continuaria dentro do ônibus, e sobre como eu deveria pensar em mais coisas para falar com ela. Decidi que criaria uma boa explicação para o porquê de eu ter saído correndo da casa dela.

Entramos no ônibus e, para o que eu pensei ser meu azar naquele momento, havia um par de assentos livres lado-a-lado. Sentei na janela, e ela ao meu lado. Pronto, teríamos que começar a conversar e eu ainda não tinha inventado minha desculpa. Ela ia dizer algo, muito provavelmente perguntar sobre aquele acontecimento, mas foi interrompida por um bip. Era meu celular. Peguei para ler uma mensagem. A mensagem dizia algo como “compre créditos até o dia tal e ganhe um bônus de tanto”. Ler mais

Amanda – 02

Porta Amarela

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O evento que vou descrever agora ocorreu dois dias depois do anterior. Antes de descrevê-lo, devo elucidar mais um fato que pode não ser claro para todos, mas que também foi essencial para que as coisas acontecessem como aconteceram. Moro em uma casa de esquina, o que faz com que o endereço da minha casa fique numa rua, e a porta em si fique em outra rua. Como resultado, raramente recebo minha correspondência, então tenho que ir diretamente na agencia dos correios, todo meio de mês, pegar uma ou duas contas que ficam lá. Dessa vez eu havia encomendado um livro, e, mesmo não sendo meio de mês, fui retirá-lo diretamente na central dos correios próxima à minha casa. Cheguei lá feliz e sorridente, e após uns quinze minutos de espera e busca enquanto eu perdia meu sorriso, meu livro foi encontrado e me entregue. Esses quinze minutos foram importantes, não pelo seu conteúdo, mas pelo que são em si, quinze minutos. Assim que recebi meu livro e me virei, vi essa menina Amanda. Ela vinha com uma bolsa de compras em cada mão e com um sorriso no rosto. Logo olhou para mim e soltou um “Olá Luiz, que coincidência encontrar você aqui”. Eu sorri e retribuí com um “Olá”. Deixo claro que por mais que eu já tenha repetido o nome dessa menina várias vezes, no momento que descrevo agora, o nome dela não ocorreu em minha mente. Ela puxou conversa amigavelmente, perguntando se eu estava mandando uma carta para algum parente ou coisa assim, e eu, mantendo meu comportamento de apenas responder as perguntas, mostrei o livro e disse que só tinha ido buscá-lo. Enquanto isso, ela fez um leve aceno para um dos funcionários dos correios atrás do balcão, fazendo com que o mesmo sorrisse, e saísse por uma das portas que levam ao lugar onde eles guardam as cartas. Continuamos a conversa de modo amigável e simples, tirando pelo fato de que eu não conseguira lembrar o nome dela, o que era um tanto constrangedor, até que, dois minutos depois, o funcionário dos correios voltou com uma caixa grande de papelão cheia de cartas e pós sobre o balcão. Ler mais