Carta

Eles estavam no quarto dela. Estavam falando sobre o passado. De vez em quando ele até ria de alguma coisa. Tudo estava muito bem. Talvez por isso ao olhar para uma pasta rosa, meio escondida em baixo de outras pastas, ele não tenha se contido em perguntar o que havia nela, mesmo sabendo que poderia estar invadindo.

–Eu confio em você, vou lhe mostrar.– ela disse enquanto movia a pilha de pastas para pegar aquela em especial. Continue lendo

Nunca Namore uma Escritora

Escritora

Esse texto é uma tradução livre do seguinte texto: Never date a Writer
Todos os créditos, com exceção da tradução, vão para o autor original.
 

Nunca namore uma escritora porque ela vai romantizar tudo. Ela vai escrever sobre coisas que você fez à ela, ou sobre coisas que você nunca fez por ela. Ela vai escrever sobre como você nunca lhe comprou flores. Nem uma vez. Ela vai contar, em prosa bem construída, como, durante todo seu tempo juntos, ela nunca voltou pra casa depois de uma longa semana fora e encontrou um vaso cheio de rosas, margaridas, ou outro tipo de flor.

Ela vai descrever as vezes em que você embaraçou ela, como naquela festa. Era a festa dela, ela deixaria a cidade por 3 meses, e todos os amigos dela estavam lá. As pessoas lhe compraram champagne, que nunca foi colocado pra gelar, mas você bebeu mesmo assim, isso depois de já ter bebido o whisky. Ela vai falar sobre quando você jogou Strip Poker com os outros, e ela entrou no quarto para encontrar suas roupas no chão ao lado de bitucas de cigarro. Ela vai falar sobre como ela teve que lhe cobrir com um casaco porque todos os amigos dela riam de você, e sobre como você ria com eles. Então, ela vai descrever como depois, quando ela não queria se afastar de você e queria se sentir guardada, ela escutou você vomitando no banheiro. Ela vai falar sobre como ela teve de ter certeza de que você ainda estava vivo e abriu a porta do banheiro, sobre como ela viu seu rosto pressionado contra o vaso sanitário e suas pernas tremendo no azulejo. Sobre como ela chamou por seu nome, e perguntou se você estava bem, e você apenas encarou ela com os olhos entreabertos e então desviou o olhar. Ela vai falar sobre como ela não pode fazer amor com você, e sobre como ela teve que ficar acordada e fazer café, antes de você levá-la ao aeroporto. Ler mais

Alice


A cozinha hoje parecia mais suja que o normal, os moveis cinzas espalhados, as janelas manchadas e cheias da fuligem que não permitia a entrada de quase nenhuma da luz daquela manhã, dando ao ambiente um tom fosco. A chaleira esquentava no fogo baixo lentamente, de modo que quase não podia ser percebida.

O piso de madeira velha rangeu com os passos de Maia enquanto ela cambaleava do quarto para a cozinha. Estava descabelada e com a mesma roupa do dia anterior, agora toda amarrotada. O efeito da bebedeira agora doía em sua cabeça. As imagens insistiam pela não estaticidade, uma somatória da ressaca, e do desconforto natural dos primeiros momentos do dia. Ler mais

Mais Coisas Interessantes

Loira

– Eu não gosto de festas. Na verdade, o significado de “não gostar” consiste apenas numa não atração, uma definição melhor do meu sentimento seria transmitida pela frase “Eu odeio festas”.

Toda minha rotina em festas é quase que programada, e começa por ser convencido a ir. De alguma forma as pessoas ainda me convencem a ir à festas.  Ao chegar lá o grupo aos poucos se separa, até que eu fique só e seja obrigado a procurar um canto para ficar, onde fico calado e sozinho por horas, vez ou outra encontrando as pessoas com as quais fui à festa, ou talvez mesmo conhecidas. Ainda assim, tirando esses encontros casuais, fico a maior parte do tempo em pé e calado. Lembro que já cheguei a ficar 3 horas sem falar nenhuma palavra e em pé. Depois da primeira hora eu paro de questionar o porquê de eu ter aceitado ir, de prometer que nunca mais aceitarei, e entro numa espécie de transe, a música ruim some, o corpo dorme, a mente viaja. Ler mais