Café, Cigarros, Sexo e um Triturador de Lixo ou Uma Manhã Qualquer

Linguagem e temas no texto podem ser considerados ofensivos.

Uma manhã bem quente e agradável. O vento sopra suavemente de forma que não me meléco toda com suor nem meu cabelo não fica embolado com nós impossíveis de desfazer. Pessoas tomam seus sucos e lanches saudáveis ao meu redor enquanto desfruto de um café amargo e um bom cigarro. Ali largados sobre a mesa tenho um jornal, uma revista de moda e meu celular, além do meu amado maço de cigarros e do cinzeiro.

Realmente não me incomodo de esperar, estou até aproveitando isso.

Homens gordos e mulheres cheias de estrias passam correndo vez ou outra a minha frente, mas logo adiante, na praia, um grupo de homossexuais bem esculpidos joga vôlei.

Eu até ensaio algo parecido com um sorriso.

Pego mais um cigarro no maço e então um isqueiro aceso se estende pra mim. Continue lendo

Mais Coisas Interessantes

Loira

– Eu não gosto de festas. Na verdade, o significado de “não gostar” consiste apenas numa não atração, uma definição melhor do meu sentimento seria transmitida pela frase “Eu odeio festas”.

Toda minha rotina em festas é quase que programada, e começa por ser convencido a ir. De alguma forma as pessoas ainda me convencem a ir à festas.  Ao chegar lá o grupo aos poucos se separa, até que eu fique só e seja obrigado a procurar um canto para ficar, onde fico calado e sozinho por horas, vez ou outra encontrando as pessoas com as quais fui à festa, ou talvez mesmo conhecidas. Ainda assim, tirando esses encontros casuais, fico a maior parte do tempo em pé e calado. Lembro que já cheguei a ficar 3 horas sem falar nenhuma palavra e em pé. Depois da primeira hora eu paro de questionar o porquê de eu ter aceitado ir, de prometer que nunca mais aceitarei, e entro numa espécie de transe, a música ruim some, o corpo dorme, a mente viaja. Ler mais

Conflito

Cadeira

Sentado numa dura cadeira de madeira, ele passou as ultimas duas horas tocando o mesmo acorde num velho violão preto. De tempo em tempo ele repetia o mesmo acorde. Na boca um cigarro apagado. Seus olhos focavam uma grande mancha marrom na parede branca. Ao seu lado um isqueiro morto, vazio, e bitucas de cigarro, dezenas dela. Seus pés descalços tocavam o chão frio. Usava uma calça preta e uma camisa social desabotoada, também preta. O frio realmente não o incomodava.

A campainha tocou. Ele tocou mais uma vez aquele mesmo acorde. A campainha tocou mais uma vez, e enquanto uma lagrima se formava em seus olhos, ele tocou mais uma vez aquele acorde. Na terceira vez ele jogou o violão sobre um colchão que ficava entre a cadeira e a parede, diretamente sobre o chão, se levantou, esfregou o olho com a manga da camisa, colocou o cigarro no bolso, e foi atender a porta. Ler mais