Amanda – 08

CamaÍndice

Antes de sair para atender a porta, ela agachou-se e pós novamente a carta na gaveta, fechando e a trancando com a chave logo em seguida. Saiu então pela porta quase correndo, me deixando com aquela sensação de esquecimento, sem saber se deveria segui-la ou esperar no quarto. Como ficar sozinho no quarto de uma mulher é uma situação que acho muito intima e invasiva, resolvi segui-la até o final do corredor que dava na sala.

Quando cheguei lá ela já estava abrindo a porta. Era uma carteira, que lhe entregou um punhado de cartas. Não posso deixar de mencionar aqui que o fato do carteiro sequer passar na minha casa, e da mulher carteira tocar a campainha dela e entregar as cartas pessoalmente, me irritou profundamente. Cheguei a conclusão que elas eram conhecidas, e isso diminuiu minha irritação. Aliás, esse foi um dos pensamentos mais concretos que tive durante esse dia, mas foi logo seguido por uma fantasia de que ela pertencia a uma misteriosa sociedade secreta milenar de carteiros. Ler mais

Amanda – 07

CháÍndice

Eu sei leitor, você já deve estar cansado de todas essas interrupções justamente no momento onde esse mistério está para ser resolvido. Escrevo dessa vez, mais uma interrupção, apenas para lhe adiantar e deixar claro que não haverão mais interrupções, ao menos referentes ao assunto das cartas. Então se ainda tem curiosidade, peço que ignore sua frustração e continue lendo, caso contrário, agradeço muito por ter chegado até aqui, sinto muito que deseje partir, e fico a esperar que a curiosidade o faça voltar.

Para os que ficam, siga adiante para conhecer os fatos envolvendo as cartas, ou vá tomar um café ou um chá e cuidar de suas coisas por um tempo, fazendo sua curiosidade e expectativa crescerem um pouco mais, logo com que, segundo estudos em psicologia cognitiva, sua frustração seja muito maior caso essa revelação não o agrade.

Amanda – 06

GavetasÍndice
–Me acompanhe.– disse ela seguindo pelo corredor por onde outrora desejei segui-la.

Dessa vez não contive meu desejo e caminhei logo atrás dela, lentamente enquanto imaginava que estávamos indo para o quarto dela. Mais uma vez tentando fugir dos meus pensamentos irracionais, pensei que estávamos indo para a cozinha. Passamos pela cozinha e não entramos. Pensei que talvez ela quisesse que um homem arrumasse algo no banheiro, mas vi que passamos por ele também. Restavam duas portas no final do corredor, uma obviamente era o quarto dela, a outra eu não conseguia imaginar o que era. Não importa o que fosse essa outra porta, imaginei que ela estava me levanto pra lá. Contendo meus pensamentos felizes e delirantes, pensei que aquilo era um escritório, vendo que ainda assim, pensamentos impuros batiam sobre a minha mente, pensei que aquele era um matadouro e que a partir daquele dia ninguém nunca mais me veria ao menos vivo, ou talvez ainda com todos os meus membros. Ainda assim os pensamentos impuros ficaram pulando e festejando em minha mente. Ler mais

Amanda – 05

AmandaÍndice
Quando chegamos na casa dela já era inicio de noite. Felizmente, a falta de luz bateu sobre a porta de uma forma que as leis da física fizeram  com que a intimidadora porta amarela se tornasse uma porta verde clara e praticamente desprezível. Ela abriu o portãozinho verde me pedindo para entrar, e dessa vez já tinha a chave em mãos, fazendo com que passássemos pela imponente porta amarela, agora uma simples porta verde, rapidamente e sem mais delongas.

Sei que não descrevi esse aposento na vez anterior em que mencionei minha presença nele, talvez porque não houvesse nada digno de ser mencionado mesmo. Era uma sala comum, com um sofá em frente a um aparelho de tv. Uma mesa de centro entre eles. Papel de parede de flores, dando um ar bastante agradável ao lugar, e vontade de tomar café. Aqui e ali mesinhas com flores, que, não havia eu percebido da primeira vez, eram de verdade, o que deve ser a maior diferença da sala dela, para uma outra sala qualquer. Ler mais

Amanda – 04

nullÍndice
Enquanto corríamos, eu pensava sobre como minha tortura continuaria dentro do ônibus, e sobre como eu deveria pensar em mais coisas para falar com ela. Decidi que criaria uma boa explicação para o porquê de eu ter saído correndo da casa dela.

Entramos no ônibus e, para o que eu pensei ser meu azar naquele momento, havia um par de assentos livres lado-a-lado. Sentei na janela, e ela ao meu lado. Pronto, teríamos que começar a conversar e eu ainda não tinha inventado minha desculpa. Ela ia dizer algo, muito provavelmente perguntar sobre aquele acontecimento, mas foi interrompida por um bip. Era meu celular. Peguei para ler uma mensagem. A mensagem dizia algo como “compre créditos até o dia tal e ganhe um bônus de tanto”. Ler mais

Amanda – 03

SalaÍndice
Tendo passado mais um dia, a certeza de que iria encontrá-la novamente na faculdade, fora, a incerteza do nome dela, que depois de muito pensar havia eu decidido que era um nome que começava com a letra “B”, me deixaram extremamente ansioso e desconcentrado.

Naquele dia cheguei na faculdade olhando para todos os lados, procurando por ela, e ainda, de certa forma me escondendo. Eu tinha bastante medo de vê-la e ter que explicar minha fuga no dia anterior. Ainda assim, eu tinha que admitir de que não conseguiria evitar isso além da aula cujo nome é uma seqüência de consoantes que muito provavelmente explicam o assunto principal da matéria. Era a única aula que fazíamos juntos, fora isso meu único problema seria esbarrar com ela em um daqueles corredores pintados de cinza, o que não ocorreu até a hora de nossa aula. Ler mais

Amanda – 02

Porta Amarela

Índice
O evento que vou descrever agora ocorreu dois dias depois do anterior. Antes de descrevê-lo, devo elucidar mais um fato que pode não ser claro para todos, mas que também foi essencial para que as coisas acontecessem como aconteceram. Moro em uma casa de esquina, o que faz com que o endereço da minha casa fique numa rua, e a porta em si fique em outra rua. Como resultado, raramente recebo minha correspondência, então tenho que ir diretamente na agencia dos correios, todo meio de mês, pegar uma ou duas contas que ficam lá. Dessa vez eu havia encomendado um livro, e, mesmo não sendo meio de mês, fui retirá-lo diretamente na central dos correios próxima à minha casa. Cheguei lá feliz e sorridente, e após uns quinze minutos de espera e busca enquanto eu perdia meu sorriso, meu livro foi encontrado e me entregue. Esses quinze minutos foram importantes, não pelo seu conteúdo, mas pelo que são em si, quinze minutos. Assim que recebi meu livro e me virei, vi essa menina Amanda. Ela vinha com uma bolsa de compras em cada mão e com um sorriso no rosto. Logo olhou para mim e soltou um “Olá Luiz, que coincidência encontrar você aqui”. Eu sorri e retribuí com um “Olá”. Deixo claro que por mais que eu já tenha repetido o nome dessa menina várias vezes, no momento que descrevo agora, o nome dela não ocorreu em minha mente. Ela puxou conversa amigavelmente, perguntando se eu estava mandando uma carta para algum parente ou coisa assim, e eu, mantendo meu comportamento de apenas responder as perguntas, mostrei o livro e disse que só tinha ido buscá-lo. Enquanto isso, ela fez um leve aceno para um dos funcionários dos correios atrás do balcão, fazendo com que o mesmo sorrisse, e saísse por uma das portas que levam ao lugar onde eles guardam as cartas. Continuamos a conversa de modo amigável e simples, tirando pelo fato de que eu não conseguira lembrar o nome dela, o que era um tanto constrangedor, até que, dois minutos depois, o funcionário dos correios voltou com uma caixa grande de papelão cheia de cartas e pós sobre o balcão. Ler mais