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	<title>Complexo de Cassandra</title>
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	<description>&#34;Nós paramos de procurar por monstros debaixo da cama porque percebemos que eles estavam dentro de nós&#34;</description>
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		<title>Complexo de Cassandra</title>
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		<title>Mais Dias de Chuva</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 17:33:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Luna</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Todos]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://wp.me/pTgBK-pz" title="Mais Dias de Chuva" target="”_blank”"><img src="//complexodecassandra.files.wordpress.com/2012/02/pontofinal001.png”"></a><font size="”3”"><i>”Mais um trem chegou na estação e partiu sem que eu subisse nele. Já estava esperando a mais de uma hora, mas, para falar a verdade, o atraso não me incomodava tanto. Não é como se eu fosse a pessoa mais ocupada do mundo, apesar do estágio e da faculdade. O que me incomoda realmente em ter que esperar uma pessoa é um medo que sempre me bate. Sempre acho que vou esquecer o rosto da pessoa que estou esperando, de que não vou reconhecê-la....”</i></font><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=complexodecassandra.wordpress.com&amp;blog=13171884&amp;post=1585&amp;subd=complexodecassandra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As luzes do metro deixam tudo com uma tonalidade pálida. As outras pessoas paradas na plataforma pareciam zumbis, e acho que eu devia parecer um também para elas. Era noite de sexta-feira, eu esperava ver as pessoas mais animadas, mas mesmo eu que estava indo para uma “festa” estava um tanto pra baixo.</p>
<p>Mais um trem chegou na estação e partiu sem que eu subisse nele. Já estava esperando a mais de uma hora, mas, para falar a verdade, o atraso não me incomodava tanto. Não é como se eu fosse a pessoa mais ocupada do mundo, apesar do estágio e da faculdade. O que me incomoda realmente em ter que esperar uma pessoa é um medo que sempre me bate. Sempre acho que vou esquecer o rosto da pessoa que estou esperando, de que não vou reconhecê-la.<span id="more-1585"></span></p>
<p>Apesar disso, assim que quis relembrar a imagem da Fernanda ela me surgiu clara como água.</p>
<p>– É, não dá pra esquecer ela.– falei comigo mesmo.</p>
<p>Me acalmei e sentei num dos bancos que ficavam espalhados pela plataforma. Agora, contando comigo, devia haver umas cinco pessoas esperando. Comecei o clico que eu já havia repetido umas 3 vezes naquela noite. Peguei o celular, vi que ele não tinha nenhum joguinho legal, desejei ter um celular novo, mas nada aconteceu, comecei a reler umas mensagens antigas e conferi minha agenda para ter uma ideia de quantas pessoas eu conhecia. Parecia que eu conhecia bastante gente, mas na verdade eu só conhecia algumas pessoas com muitos telefones. Se alguma coisa de terrível acontecesse, eu sabia que poderia tentar encontrar quem eu precisasse de umas 5 maneiras diferentes. Sabia também que não conseguiria encontrar por nenhuma delas.</p>
<p>O telefone tocou enquanto eu brincava de jogar ele pra cima.</p>
<p>– Alô.</p>
<p>– Oi, querido.– a voz de Fernanda respondeu.</p>
<p>– Está muito longe?</p>
<p>– Não. Estou no metro já, só queria saber se você tinha chegado.</p>
<p>Virei e a vi descendo a escada rolante. Nesse momento ela pareceu me notar.</p>
<p>– Vi você.– ela disse logo depois desligando o celular.</p>
<p>Ela se aproximou correndo e parou bem a minha frente, dando um largo sorriso.</p>
<p>– Feliz aniversário!– eu disse dando então um abraço nela.</p>
<p>Ela me abraçou de volta e me deu um beijo na bochecha agradecendo.</p>
<p>Notei um cara loiro a alguns passos de distancia, vestindo uma camisa verde justa por baixo de uma jaqueta jeans.</p>
<p>– Aquele é o Pablo.– ela disse assim que percebeu que eu o olhava.</p>
<p>– Seu namorado?</p>
<p>– Eu gosto de chamar de Pablo, mas na falta de uma forma melhor de apresentar, pode ser.</p>
<p>Ele não parecia prestar atenção na nossa conversa.</p>
<p>– Pablo, esse é o Luiz.– ela disse pegando ele pela mão e o trazendo para perto.</p>
<p>Ele sorriu e estendeu a mão restante. A apertei dizendo “Olá”.</p>
<p>– Ele é programador, de sites e joguinhos, coisas assim.– ela disse.</p>
<p>– Ela engrandece demais meu trabalho.– ele disse colocando as mãos nos bolsos.</p>
<p>– Ela te chama de querido e fofo também?– falei.</p>
<p>– Não, você é meu fofo, querido.– ela disse se colocando no meio.</p>
<p>Imaginei que meu comentário não foi bom, e que a resposta dela poderia incomodá-lo, mas ele pareceu não ligar.</p>
<p>– Olhem– apontou para o lado– Chegou o metro.</p>
<p>Entramos num vagão completamente vazio e sentamos eu e Fernanda. Pablo ficou de pé, apoiado numa das barras de metal. Encarava o vazio, como se pensasse numa coisa muito importante.</p>
<p>– Aquela sua amiga não vai conosco?– Fernanda perguntou.</p>
<p>– Ela não deve ir. Estamos começando a sair ainda. Ela acha que seria incomodo sair com conhecidos meus.</p>
<p>– Que isso. Mesmo você não conhece todo mundo aqui. Liga pra ela, diz que é uma coisa bem <em>Light</em>. Beber num barzinho. Ai a gente se conhece.</p>
<p>– Não tenho mais créditos.</p>
<p>– Você não deve ter créditos há mais de cinco meses.</p>
<p>Era verdade.</p>
<p>– Quer meu celular?– Pablo disse, oferecendo o celular pra mim.</p>
<p>Era um daqueles aparelhos que eu havia desejado um pouco antes. Peguei perguntando se não seria problema, e ele respondeu que não da forma mais neutra possível. Peguei o celular e pensei se deveria mesmo fazer aquela ligação. Seria a terceira vez que eu pedia para ela ir comigo. Eu não queria parecer irritante ou coisa assim.</p>
<p>Acabei telefonando. O telefone tocou algumas vezes e caiu na caixa postal. Desliguei sem deixar recado algum.</p>
<p>– Nada, parece que ficarei segurando vela pra vocês dois.– disse devolvendo o celular.</p>
<p>– Que isso. Vai ser legal cara.– Pablo disse pegando o celular e colocando no bolso.</p>
<p>– Eu faço você beber até ficar divertido.– Fernanda disse apoiando a cabeça no meu ombro.</p>
<p>– Vamos ver.</p>
<p align="center">♦</p>
<p>Chegamos na nossa estação que ficava num bairro nobre da cidade, bem de frente pra praia. O cheiro do sal no ar deixava o ambiente muito agradável, e a iluminação estava muito bonita. Eu adorava o contraste que ali se criava a noite. Os prédios super iluminados a direita, todos eles de uma arquitetura finíssima, enquanto a esquerda só havia o mar, hoje iluminado por uma lua cheia completamente branca.</p>
<p>– Vamos ficar naquele bar.– apontou Fernanda.</p>
<p>O bar na verdade era um botequim muito requintado, quase um restaurante. Mesas de madeira ocupavam a calçada, a maioria delas cheia. Um homem tocava violão num pequeno palco que ficava a esquerda da entrada do botequim. Lá dentro tudo era iluminado por uma luz amarela, que dava uma cor dourado as paredes. Em resumo, era o tipo de lugar caro que eu não costumava visitar.</p>
<p>Nos sentamos numa mesa de quatro lugares bem distante do homem que tocava violão. Um garçom veio logo ao nosso encontro colocando o cardápio sobre a mesa. Pablo pegou o cardápio e começou a lê-lo.</p>
<p>– Boa noite– Fernanda disse ao garçom.– três chopes, por favor.– pediu sinalizando o número 3 com os dedos.</p>
<p>– Vou dar uma olhada no cardápio, pode trazer só as cervejas.– Pablo disse para o garçom com um sorriso– Ah, desculpe, vai querer algo?– disse logo depois se virando pra mim.</p>
<p>– Só o chope está ótimo pra mim.– respondi.</p>
<p>– Com licença.– o garçom disse se retirando.</p>
<p>Fernanda olhava para as pessoas a nossa volta. Pablo abriu mais uma vez o cardápio e com o celular começou a tirar fotos.</p>
<p>– Então Luiz, o que acha de um aplicativo que se atualiza com a wi-fi do bar e mostra o cardápio direto no seu celular?– Pablo falou fechando o cardápio e olhando pra mim.</p>
<p>Lembrei por um momento do meu celular.</p>
<p>– É realmente uma ideia muito boa.– respondi com sinceridade.</p>
<p>– Eu odeio ter esse livro gigante na mesa. Seria muito interessante se eu pudesse ver o menu no celular de forma interativa.</p>
<p>– Sim.– concordei.</p>
<p>– Quem sabe uma lista de opiniões sobre os pratos e drinks também.– Ele falou olhando pro alto– Ah, desculpe, eu não queria ficar falando de trabalho agora, é que as idéias surgem e eu tenho que seguir o fluxo.– disse baixando a cabeça e olhando pra mim.</p>
<p>– A ideia é realmente muito interessante, não se preocupe.– disse– Não acha Fernanda?– perguntei me virando pra ela.</p>
<p>Ela pareceu ignorar minha pergunta.</p>
<p>– Esse aí com o violão, ele é muito bom.– comentou ela.</p>
<p>O homem estava cantando um música que eu desconhecia em espanhol. Era muito bonita e ele tocava com extrema delicadeza.</p>
<p>O garçom chegou com os três canecos e os colocou sobre a mesa.</p>
<p>– Pode levar.– disse Pablo dando o cardápio para o garçom.</p>
<p>– Não desejam mais nada?– o garçom perguntou.</p>
<p>– Depois.– Pablo respondeu e o garçom então se retirou.</p>
<p>Cada um de nós pegou seu caneco e levantou para fazer o brinde.</p>
<p>– Ei, ninguém vai dizer nada? É meu aniversário.– Fernanda disse colocando a mão aberta entre os copos.</p>
<p>Pablo olhou para mim e eu pra ele.</p>
<p>– Então, não tem nada pra dizer?– ele perguntou.</p>
<p>– Eu acho mais apropriado você falar.– disse eu.</p>
<p>Ele levantou a cabeça pro céu, talvez buscando palavras.</p>
<p>– Vocês dois vão falar!– ela disse– E rápido que eu quero beber meu chope.</p>
<p>– À uma garota única, que as vezes não parece uma garota tanto assim.– disse Pablo.</p>
<p>– Sim, uma garota muito especial, com oito gatos e uma moral esculpida no mais fino mármore.– disse eu levantando mais o copo.</p>
<p>– E peitos e Q.I. gigantescos.– Pablo disse com um sorriso também gigante.</p>
<p>– Isso!– ela disse batendo os canecos com força, o que derramou um tanto do chope dos três. Depois demos todos um gole demorado.</p>
<p>– Vinte e sete?– perguntei.</p>
<p>– Sim.– ela disse.</p>
<p>Eu tinha 26 e não tinha nem metade das realizações dela. Ela estava completando a segunda faculdade com um bom emprego, enquanto eu terminava minha primeira com um estágio. Ela falava mais de três línguas e eu ainda estava no inglês. Não fazia muito sentido nossa amizade, ao menos pensando nesses termos. Mas eu estava feliz por ela, de verdade.</p>
<p>– Olha, ele está tocando Eduardo e Mônica.– falou Fernanda.</p>
<p>– Caralho, é quase como se deus existisse!– falei.</p>
<p>– Como?– perguntaram Fernanda e Pablo.</p>
<p>– Deixa pra lá.– falei.</p>
<p>Eles ignoraram.</p>
<p>Fernanda curtia a música batendo com os indicadores na mesa. Pablo dava goles no caneco de chope enquanto fuçava o celular.</p>
<p>– Luiz, você não falou o que faz.– ele disse deixando o celular sobre a mesa, junto do caneco.</p>
<p>– Ah, eu estou ainda na faculdade, fazendo psicologia. E tenho um estágio fazendo entrevistas para clínica, coisa bem simples. Fora isso não faço nada demais.</p>
<p>– Ah psicologia. Isso lhe dá poderes mágicos como as pessoas pensam?</p>
<p>– Na verdade, não.– respondi.</p>
<p>– Mais lhe ajuda a entender as pessoas?</p>
<p>– Sim e não. Não acho que eu vá entender.</p>
<p>– Na verdade, você tem uma compreensão muito boa das pessoas, equivocada, mas muito boa.– Fernanda disse assim que o violonista parou de tocar Eduardo e Mônica.</p>
<p>– Às vezes acho que psicologia não é muito sobre entender as pessoas, e sim sobre fazer elas se entenderem.– eu disse.</p>
<p>– Pessoalmente acho isso uma maluquice, não dá pra entender completamente uma pessoa mesmo. Não acredito que funcione.– ele falou virado pra mim.</p>
<p>– Não precisa ser completamente. Acho que dá pra meio que, ver o problema, e deduzir que parte do código fonte está gerando o conflito, e então, tentar mexer lá, ou em outro lugar, pra corrigir ou minimizar o problema.</p>
<p>Ele olhou pra mim meio que espantado.</p>
<p>– Realmente é uma forma que eu não havia pensado.</p>
<p>– É meu aniverário e eu não quero esse blá, blá, blá.</p>
<p>– Tudo bem, eu sei que é chato.– disse eu.</p>
<p>– Sim, um outro dia falamos disso.– Pablo disse e então seu celular tocou sobre a mesa.– Sua amiga.– falou ele olhando pro celular.</p>
<p>Acenei com a cabeça, como que querendo pegar o celular.</p>
<p>– Atende.– Fernanda disse depois de dar mais um gole no chope.</p>
<p>– Alô.– atendi.</p>
<p>– Alô, quem é?– ela perguntou do outro lado da linha.</p>
<p>Me incomodou ela não ter reconhecido minha voz.</p>
<p>– Sou eu, o Luiz, estou ligando do celular de um amigo.– falei olhando pro Pablo– Queria saber se não quer sair mesmo?</p>
<p>– Ah sim, está barulho aí, não tinha escutado direito.</p>
<p>– Já estamos no botequim, mas é perto da sua casa e&#8230;</p>
<p>– Eu quero ir sim, aonde é?</p>
<p>– É bem perto, quer que eu vá lhe buscar?– perguntei.</p>
<p>– Não precisa.</p>
<p>– Não é problema pra mim.</p>
<p>– Tudo bem então, pode vir, eu troco de roupa rapidinho.</p>
<p>– O.k. Beijo Camila.</p>
<p>– Beijo.– ela disse desligando.</p>
<p>–Ela vem.– disse eu devolvendo o celular.</p>
<p>– Foi difícil?– Fernanda perguntou.</p>
<p>– Não, mas vou ter que ir buscá-la. Vocês vão se divertir sem mim?</p>
<p>– Duvido.– ela disse rindo.</p>
<p>– Aproveitem então.– falei me levantando.</p>
<p>– Bebe sua cerveja.– ela falou apontando pro meu caneco quase que totalmente cheio.– Você vai beber até ficar divertido.</p>
<p>Num único gole bebi tudo.</p>
<p>– Espero que isso me ajude com a Camila.– disse eu.</p>
<p>– Vai ajudar mais depois que ela beber umas quatro dessas.– Pablo disse.</p>
<p>– Foi fácil chamar ela pra cá, não acho que vai precisar de quatro chopes.– Fernanda argumentou.</p>
<p>– Vai lá cara, a gente vai ficar apostando aqui quantos chopes vai precisar.</p>
<p>– Espero que não muitos, mesmo pro meu bolso.</p>
<p>– Não liga pra isso querido, é meu aniversário. Em algumas culturas eu teria que dar presentes pra vocês.</p>
<p>– Fernanda, acho que isso é só no <em>Senhor dos Anéis.</em>– Pablo falou.</p>
<p>– Verdade. Bem vou indo.– eu disse me afastando da mesa.</p>
<p align="center">♦</p>
<p>Camila morava a cinco quadras de distancia. Caminhei sem problema algum, aproveitando a noite. Cheguei ao prédio dela e pedi para o porteiro interfonar para o seu apartamento.</p>
<p>– Você pode esperar ela aqui.– o porteiro disse.</p>
<p>Sentei-me num dos sofás da portaria, e esperei observando replicas dos quadros de Monet que estavam presas às paredes. Perguntei-me porque as pessoas associavam os quadros dele aos sonhos. Pra mim os sonhos eram tão nítidos, pareciam mais a realidade que a própria realidade.</p>
<p>Ela saiu do elevador. Estava especialmente linda aquela noite, com o cabelo solto e um batom vermelho sobre os lábios.</p>
<p>Batom vermelho é crueldade.</p>
<p>– Você está linda.– eu disse.</p>
<p>Eu acho essa frase clichê, e odeio clichê. Confesso que eu nunca digo isso, mas a realidade é que a verdade saiu. E eu não me arrependi.</p>
<p>Ela sorriu tímida em agradecimento.</p>
<p>– Está mesmo linda dona.– disse o porteiro.</p>
<p>Ela se encolheu e agradeceu.</p>
<p>– Então, vamos?– disse ela.</p>
<p>– Vamos.</p>
<p>Nos despedimos do porteiro e saímos pela rua.</p>
<p align="center">♦</p>
<p>Ela me deu a mão e caminhou bem próxima de mim. Andávamos lentamente pela rua. Eu não queria demorar, mas era impossível apressar o passo.</p>
<p>– Desculpe, não quis me fazer de difícil.– ela disse.</p>
<p>– Não tem problema, Camila, eu entendo.</p>
<p>– Eu achei que era cedo para ser julgada pelos seus amigos.</p>
<p>– Na verdade, eu também só conheço uma pessoa lá. Só a Fernanda é o que posso chamar de amiga de verdade.</p>
<p>E na verdade Fernanda já havia julgando e rejulgando ela um tempo atrás, tudo isso a partir de um avistamento e do que eu falava.</p>
<p>– E ela é uma pessoa legal?– ela perguntou.</p>
<p>– Ela é difícil, mas eu acho ela uma pessoa muito especial. Gosto muito dela.</p>
<p>– Mais do que gostava de mim?</p>
<p>– Eu ainda gosto de você, e acho difícil gostar de alguém mais do que gosto de você.</p>
<p>– Digo como amiga. Prefere ela como amiga que eu?</p>
<p>– Deixamos de ser amigos só porque tentamos ter algo a mais?</p>
<p>– Eu não sei. Isso é tão complicado. Pode acabar dando merda.</p>
<p>– Eu te amo.– disse eu, apesar de odiar a forma como ela me levava aos clichês.</p>
<p>Ela corou e me beijou. Apertei forte a mão dela.</p>
<p>– Não vai limpar?– ela perguntou.</p>
<p>– O que?</p>
<p>– O batom na sua boca, não vamos chegar lá assim né?</p>
<p>Confesso que eu queria chegar lá assim.</p>
<p>Limpei a boca com o verso da camisa.</p>
<p align="center">♦</p>
<p>Caminhamos conversando sobre a faculdade, e sobre a prima dela.</p>
<p>Quando chegamos no botequim o músico tocava Stairway to Heaven. Pablo e Fernanda estavam rindo alto. Perguntei o que era tão engraçado.</p>
<p>– Esse músico, desde que você saiu tocou as coisas mais malucas possíveis.</p>
<p>– Na verdade foi isso e mais umas três canecas de chope.– disse Pablo.</p>
<p>– Bem, essa é Camila– disse eu– e estes são Pablo e Fernanda.</p>
<p>Pablo apenas acenou com a cabeça do seu lugar. Fernanda levantou dizendo “olá”.</p>
<p>– Olá, Feliz aniversário!– Camila disse dando nela um daqueles beijos no ar.</p>
<p>– Obrigada. Sente-se, vamos pedir mais uma rodada de chopes.</p>
<p>– Eu vou no banheiro antes.</p>
<p>– Tudo bem, fique tranqüila que nós cuidamos dele.– disse Pablo.</p>
<p>Ela sorriu e saiu.</p>
<p>– Pensei que as garotas tivessem que ir no banheiro juntas.– falei.</p>
<p>– Pra que, pra eu ajudar ela a retocar o batom?– disse Fernanda.</p>
<p>– Droga!– comentei.</p>
<p>– Safado.– ela disse.</p>
<p>Camila voltou com o batom retocado e sentou-se ao meu lado.</p>
<p>– Acho melhor pegar algo pra comer.– Pablo falou.</p>
<p>– Vamos pegar uma vitela.– Fernanda disse olhando com a sobrancelha levantada para Pablo.</p>
<p>– Eu pego uma poção de fritas. Eu vou lá no banheiro e falo com o garçom no caminho.– ele disse se levantando da mesa.</p>
<p>– O que foi isso?– perguntei.</p>
<p>– Ele não come carne.</p>
<p>– Ah, vegetariano.– Camila falou.</p>
<p>– Não, ele toma leite, come ovos, usa couro e outros produtos derivados de animais, mas ele não gosta de carne, do sabor.</p>
<p>– Como assim? Isso é anti-natural.– falei.</p>
<p>– É isso, ele não gosta de carne, da mesma forma que você não gosta de manga, ou eu não gosto de beterraba, ele não suporta o sabor.</p>
<p>– Nem da gordura?– Camila perguntou</p>
<p>– Nem gordura.– Fernanda respondeu.</p>
<p>– Nem de <em>bacon</em>?– perguntei.</p>
<p>– Nem de <em>bacon</em>.– ela respondeu.</p>
<p>– Ele é um sujeito muito diferente.– falei.</p>
<p>– Deve ser por isso que ela namora com ele.– Camila comentou.</p>
<p>– Hum&#8230;– balbuciei.</p>
<p>– O que, eles não são namorados?– ela perguntou.</p>
<p>– Na falta de forma de apresentar melhor, somos.– Fernanda falou.</p>
<p>Nesse momento o garçom deixou sobre a mesa 4 canecos de chope e disse que já estava trazendo a poção de fritas.</p>
<p>Camila deu um gole pra molhar a garganta.</p>
<p>– Primeiro.– disse Fernanda.</p>
<p>– Primeiro o que?– Camila perguntou.</p>
<p>– Deixa pra lá.– Fernanda respondeu.</p>
<p>Pablo voltou para a mesa e deu um gole do seu caneco.</p>
<p>– A noite está muito agradável não é?– perguntou.</p>
<p>– Sim está.– Camila concordou.</p>
<p>Eu acenei que sim com a cabeça.</p>
<p>– Bem, vou ali fumar um cigarro, não tem ninguém fumando aqui e não quero estragar o ambiente de vocês.– ele disse.</p>
<p>– Eu não me importo.– Camila disse, depois olhou para mim e Fernanda.</p>
<p>– Por mim tudo bem.– disse eu.</p>
<p>– Eu já volto.­– ele disse e caminhou até o outro lado da pista,  sentando num banco perto de uma palmeira.</p>
<p>– Ele tem que entrar no mundinho dele, é por isso que ele fuma. Não se preocupem.– Fernanda falou dando em seguida um gole no chope– E vocês, estão namorando agora?</p>
<p>– Acho que na falta de forma de apresentar melhor, estamos sim.– eu disse, preferindo que essa fosse logo a forma correta de apresentar.</p>
<p>Camila parou e refletiu.</p>
<p>– Acho que logo estaremos, mas prefiro não pensar assim agora.– ela falou.</p>
<p>Dei um gole no meu chope.</p>
<p>– Entendo. Desejo pra vocês o melhor.– disse Fernanda.</p>
<p>–Obrigada.– Camila respondeu.– Mas hoje somos nós que devemos desejar coisas pra você.</p>
<p>– É meu aniversário, eu quero de presente o melhor pra vocês.– ela disse batendo o copo no copo da Camila.</p>
<p>Ambas deram um longo gole até deixar os canecos vazios.</p>
<p>– Mais duas.– pediu Fernanda ao garçom que passava ali próximo. Ele anotou e saiu.</p>
<p>Pablo voltou e se sentou.</p>
<p>– Então, do que falavam?– ele perguntou.</p>
<p>– Falamos dos meus presentes de aniversário.</p>
<p>– Eu já lhe providenciei um.– ele falou.</p>
<p>– É mesmo?– ela disse olhando pro relógio no pulso.– Tem até meia noite pra me dar.</p>
<p>– Acho que não demora mais nem um minuto.– ele disse.</p>
<p>– O que é então?– ela perguntou.– Pera, o violonista tá tocando Oswaldo Montenegro?</p>
<p>– É o seu presente.</p>
<p>O violonista tocava B<em>andolins</em> de forma muito sensível e olhando especificamente para Fernanda, mesmo ela estando bem distante. Eu lembro que uma vez ela havia me dito o quanto gostava dele, especialmente dessa música. Foi um presente muito esperto. Gostaria de ter pensado nele.</p>
<p>Ela beijou Pablo na boca de forma curta e voltou a prestar atenção à música. Ele e ela haviam virado as cadeiras na direção do violonista. Camila pegou na minha mão por baixo da mesa e apoiou o corpo dela no meu. Eu pude sentir o cheiro do shampo dela de uma forma que nunca havia sentido. Ficamos todos ouvindo a música sem trocar nenhuma palavra até o fim. Quando ele terminou não só a nossa mesa, mas todas as outras em volta aplaudiram.</p>
<p>No meio tempo da música o garçom havia trazido os canecos e a poção de batata e levado os copos vazios. Demoramos pra notar a existência das batatas ali, então elas passaram quase que um minuto e meio intocada.</p>
<p align="center">♦</p>
<p>Passamos o resto da noite bebendo e conversando besteira. Em determinado momento estávamos tão bêbados que começamos a questionar Pablo sobre o seu desgosto pelo sabor de carne.</p>
<p>– Tem certeza que você não é vegetariano?</p>
<p>– Tenho, eu me apresento como vegetariano pra poupar trabalho, mas as pessoas acabam descobrindo que não sou.</p>
<p>– Mas como você pode não gostar de carne? Eu entendo vegetarianos, mas alguém que não gosta de carne, é&#8230;.</p>
<p>– É estranho, tem tantos tipos e sabores diferentes, como você pode odiar todos?</p>
<p>– A maioria das carnes tem sabor de frango, as outras não são tão diferentes assim também.– ele falou.</p>
<p>Questionamos se ele tinha problemas de paladar e depois começamos a nos perguntar que tipo de médico deveria cuidar do paladar das pessoas, mas só lembrávamos que ele tinha um nome complicado e longo.</p>
<p>Depois da saidera e de pagar a conta, resolvemos ir beber mais na casa de Pablo, que ficava também ali perto. Por causa do trabalho Camila resolveu ficar em casa.</p>
<p>Na frente do prédio dela ela me confessou ao ouvido que não podia, mas se pudesse me chamaria para subir. Eu a beijei e disse que podia ficar pra outro dia.</p>
<p>Pablo e Fernanda me questionaram sobre eu não ter convencido ela a ir conosco até a casa de Pablo.</p>
<p>– Tem um quarto vazio lá, vocês podiam ter aproveitado.– ele disse.</p>
<p>– Ela não quis.– eu disse.</p>
<p>– Mesmo depois de cinco chopes.– Fernanda falou.</p>
<p>– Não temos vencedores.– disse Pablo.</p>
<p>– Do jeito que as coisas vão ia acabar virando uma suruba.– falei.</p>
<p>– Agora só temos possibilidade de um ménage.– Fernanda falou pegando a mim e Pablo pelo braço.</p>
<p>Olhei bem para ele.</p>
<p>– Com certeza não bebi tanto assim ainda.</p>
<p align="center">♦</p>
<p>Ele morava num apartamento oposto ao mar. Disse que escolheu assim por que não queria ser acordado pelo sol. Para os padrões daquela região da cidade era um apartamento bem pequeno, ainda assim era bem maior que o meu.</p>
<p>Fernanda tirou os sapatos e sentou no chão da varanda. Acabei sentando ali no chão ao lado dela. Ele trouxe uma garrafa de vinho e três taças e se sentou numa rede. Brindamos a ela e bebemos eu e ela num gole a primeira taça.</p>
<p>– Vocês bebem uma taça de vinho em um gole e sou eu que não tenho paladar.– Pablo comentou enchendo novamente nossas taças.</p>
<p>– Com certeza.– dissemos em coro.</p>
<p align="center">♦</p>
<p>Bebemos mais algumas taças e Pablo disse que ia se deitar. Beijou Fernanda mais uma vez, desejando feliz aniversário, e saiu.</p>
<p>– E você, não vai me dar presente algum, querido?– ela me perguntou.</p>
<p>– Pensei que meu presente fosse eu e Camila nos dando bem.– respondi– E eu não sei como você se controlou pra não me chamar de querido na frente dela.</p>
<p>– Esse é o presente dela.– ela falou.– E eu sei me controlar, ou ficou com medo que eu falasse de como você se masturba pensando nela?</p>
<p>– Nunca lhe falei nada assim.</p>
<p>– Mas é homem.</p>
<p>– Hum.</p>
<p>Havia sido um dia ótimo, muito lindo. Olhei então para a grande lua que estava no céu sobre os morros.</p>
<p>– Olha, meu presente de aniversário pra você.– disse olhando pra ela e depois pra lua.</p>
<p>– Puta presente.</p>
<p align="center">♦</p>
<p>Bebemos a garrafa de vinho inteira e abrimos uma outra de pior qualidade. Quando ela estava na metade Fernanda decidiu que queria ver o sol nascer. Obrigou-me então a sair e caminhar com ela até a praia.</p>
<p>O céu estava púrpura, cheio de nuvens agora. Ainda deveria demorar quase meia hora para o sol nascer, então ficamos caminhando na calçada em frente à praia enquanto tomávamos o resto da garrafa direto na boca. Apesar da hora haviam muitos casais sentados ou estirados sobre a areia, esperando o sol. Todos calmos ou esgotados.</p>
<p>– Não quer sentar?– perguntei.</p>
<p>Ela escorregou e só não caiu por que se apoiou no meu corpo.</p>
<p>– Se eu sentar vou dormir. Se eu dormir meu aniversário acaba.</p>
<p>– Verdade.</p>
<p>Começou então a chover uma chuva fina. O sol começou a nascer e não percebemos que a chuva cada vez ficava mais pesada. Quando olhei pra ela de novo ela estava totalmente encharcada, assim como eu.</p>
<p>– Você tem razão.– falei enquanto ela ainda encarava o sol.</p>
<p>– Sobre o que?– ela perguntou se virando para mim.</p>
<p>– Sobre como as coisas ficam mais bonitas depois da chuva.</p>
<p>Ela sorriu então pra mim.</p>
<p>– Fernanda, você fica linda completamente encharcada.</p>
<p>– Obrigada.– ela disse se afastando de mim e se inclinando em agradecimento.</p>
<p>Fiquei a olhando por mais um tempo, o olhar dela já não estava em mim.</p>
<p>– Me abraça.– ela disse.</p>
<p>– O que?</p>
<p>– Minha camisa está transparente, meus peitos estão aparecendo e tem um tarado me olhando ali.</p>
<p>Minha primeira reação foi a de tentar virar e ver o tarado, mas antes que eu pudesse fazer isso ela me abraçou.</p>
<p>– Feliz aniversário.– eu disse.</p>
<p>– Feliz.– ela respondeu.</p>
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		<title>Desmascarados</title>
		<link>http://complexodecassandra.wordpress.com/2012/01/16/desmascarados/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 17:23:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Luna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Todos]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://complexodecassandra.wordpress.com/2012/01/16/desmascarados/" target="_blank"><img src="http://complexodecassandra.files.wordpress.com/2012/01/m0075.png"></a><font face="times new roman" size="3"><i>" Ninguém sábia exatamente quando acontecia ou mesmo qual era o gatilho para esse fenômeno. Ainda assim, nessa pequena cidade, em certo momento toda criança ganhava uma máscara. Esperavam ansiosamente pelo dia que acordariam e achariam uma máscara de baixo do travesseiro. Assim que acontecia, a punham na cara e saiam para se exibir aos amigos..."</i></font><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=complexodecassandra.wordpress.com&amp;blog=13171884&amp;post=1575&amp;subd=complexodecassandra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://complexodecassandra.wordpress.com/2012/01/16/desmascarados/"><img class="aligncenter" src="http://complexodecassandra.files.wordpress.com/2012/01/0075.png?w=500" alt="" /></a> Ninguém sábia exatamente quando acontecia ou mesmo qual era o gatilho para esse fenômeno. Ainda assim, nessa pequena cidade, em certo momento toda criança ganhava uma máscara. Esperavam ansiosamente pelo dia que acordariam e achariam uma máscara de baixo do travesseiro. Assim que acontecia, a punham na cara e saiam para se exibir aos amigos.</p>
<p>Não se sabia quando as máscaras começaram a aparecer, ou quem foi o primeiro a usar uma.<span id="more-1575"></span></p>
<p>Uma vez colocada, a máscara nunca era tirada, ao menos ninguém tentava fazê-lo. A máscara se tornava um adereço indispensável à figura da pessoa. Imaginava-se que ela representava que a pessoa havia sido escolhida, estava pronta para algo. De fato, apenas as pessoas mascaradas conseguiam se misturar naquela cidade. Um ou outro que não havia ganhado ainda sua máscara, seja lá qual fosse o motivo, acabava se perdendo, se desviando. Chegariam a notar que essas pessoas realmente desapareciam. Notariam, se não vivessem num mundo de mascarado.</p>
<p>Edu havia ganhado sua máscara quando completou dez anos, o que era um tanto tardio quando comparado ao resto das crianças. Hoje já não conseguiria lembrar-se bem da ocasião, mas naquele dia a pós e foi se mostrar aos amigos como todos faziam. Não foi bem recebido. Sua máscara era branca e simples, sem grandes adornos fora um contorno negro e uma lagrima, pintada de dourado, que caia do olho esquerdo. As máscaras de seus amigos eram maiores, cheias de enfeites, laços, cores.</p>
<p>Parecia que com o tempo as máscaras dos outros tornavam-se mais e mais bonitas, enquanto a máscara de Edu continuava a ser a mesma máscara branca e simples. No começo estava tudo bem para ele, afinal, ao menos tinha uma máscara, e embora fosse quase imperceptível, agora um pouco de atenção Edu recebia dos outros. O problema surgiu quando um dia, ao se olhar no espelho, Edu percebeu algo que jamais havia visto em qualquer outra máscara. No queixo, indo até o lábio inferior da máscara, de forma que só podia ser notado pelos olhos mais atentos, Edu viu uma rachadura.</p>
<p>Nessa primeira vez manteve o controle, usou um pouco de tinta para mascarar sua máscara. Ficou imperceptível, pelo menos até a manhã seguinte. No outro dia, além da rachadura anterior, mais aberta do que antes estava, uma outra descia do olho direito até quase o fim da bochecha.</p>
<p>Não foi trabalhar nesse dia.</p>
<p>Ficou desesperado. Imaginava sua máscara em pedaços, a forma como as pessoas o veriam, ou deixariam de ver. Estava agora com 25 anos. Tinha uma carreira, uma vida. Era inadmissível que viesse a perder suas máscara agora.</p>
<p>Começou a pensar em soluções, e em sua busca, pegou a lista telefônica. Correu para a letra M e achou algo do qual nunca ouvia escutado falar. Era um anuncio grande em formato de quadrado, com duas máscaras gregas representando o drama e a comédia, e logo abaixo, em letras grandes as palavras “Loja de Máscaras – Compramos e Vendemos”.</p>
<p>Edu destacou o anuncio e foi até o endereço. Era uma rua meio esquecida pela qual quase nunca passava. Nunca havia prestado atenção àquela loja. Era uma porta pequena, e só se anunciava por uma placa do lado de fora que exibia as mesmas máscaras que eram apresentadas no anuncio das listas.</p>
<p>Entrou na loja com um tanto de receio.</p>
<p>Logo foi recebido por uma voz jovial.</p>
<p>“Bem vindo”</p>
<p>Uma jovem ruiva estava à frente de dois armários gigantes, ambos com portas de vidro. Dentro deles, dezenas de máscaras enfileiradas, muitas delas mais bonitas que qualquer uma das máscaras que Edu já havia visto.</p>
<p>Edu respondeu com um “olá”. Estava ainda um tanto ansioso, demorou um pouco para reorganizar seus pensamentos, e então explicou sua situação.</p>
<p>“Nós não concertamos máscaras aqui, nós só vendemos e compramos.”A jovem ruiva respondeu, se aproximando e apoiando as duas mãos no balcão. Edu percebeu que ela não usava uma máscara. Seu rosto tinha um aspecto pálido. A moça colocou um grande livro negro sobre a mesa e disse que ele podia olhar o catálogo o quanto quisesse.</p>
<p>Edu abriu o livro e se deparou com muitas centenas de mascaras, algumas delas vezes mais maravilhosas que aquelas da estante. Todas as cores, todos os tipos, tão maravilhosas que ele demorou um tempo até se lembrar o real motivo de estar ali. Reparou então no preço escrito logo abaixo das mascaras.</p>
<p>“É tudo caro demais” Disse olhando a vendedora.</p>
<p>“Você tem que pagar o preço de uma vida se quiser usar uma mascara.” ela respondeu.</p>
<p>Por trás da mascara ele ficou desesperado. Perguntou se ela aceitaria comprar a sua máscara ou mesmo troca-lá por qualquer outra, não importava.</p>
<p>“Infelizmente sua máscara apresenta danos, e como falei anteriormente, não podemos concertá-la. Não teria valor para nós.”</p>
<p>“Por favor, qualquer coisa” implorou “eu não posso viver sem uma máscara.”</p>
<p>A moça fez uma expressão que Edu jamais havia visto. Levantou a mão e apontou para o próprio rosto.</p>
<p>“Como vê, eu consigo viver sem uma máscara senhor. Existem muitas pessoas dispostas a viver sem uma.”</p>
<p>Pensou em seus amigos, colegas de trabalho, todos seus conhecidos.</p>
<p>“Mentira, não conheço nenhum deles. As pessoas sem uma tem de viver nas sombras escondidas.”</p>
<p>A moça respirou fundo e olhou fundo nos olhos de Edu, atravessando a máscara.</p>
<p>“É difícil uma pessoa que não usa máscara se adaptar a um mundo de mascarados. Mas estes ainda encontram as sombras, os quartos escondidos e pedaços de papel, ao menos até que encontrem outros sem máscaras. É solitário se não se pode encontrar outros como si. Alguém com quem você possa estar despido.”</p>
<p>“Eu não consigo” respondeu ele desesperado “não posso perder tudo que construí”</p>
<p>“Pode construir algo novo e real.”</p>
<p>“Não, não posso!” bravejou ele batendo contra o balcão. “Não existe isso de pessoas sem máscaras. Eu preciso das coisas que construí, e dos meus amigos e colegas, eu preciso do meu trabalho, Preciso de tudo isso e não posso perder nada.”</p>
<p>A mulher se abaixou por trás do balcão e quando se levantou trazia algo nas mãos. Apontou o objeto diretamente para Edu, que viu seu reflexo ali. Sua mascara estava inteira novamente, mais que isso, estava mais bela. A lagrima dourada pareceu tomar toda a cor da mascara. Desenhos de flores vermelhas brotavam aqui e ali, de forma que a máscara parecia ter vida própria.</p>
<p>“Parece que agora tem sua preciosa vida de novo”</p>
<p>a mulher falou.</p>
<p>“Parece que sim” por detrás da máscara Edu respondeu.<br />
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	</item>
		<item>
		<title>Café, Cigarros, Sexo e um Triturador de Lixo ou Uma Manhã Qualquer</title>
		<link>http://complexodecassandra.wordpress.com/2012/01/11/uma-manha-qualquer/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 15:45:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Luna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Todos]]></category>
		<category><![CDATA[Amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Cigarro]]></category>
		<category><![CDATA[Encontro]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://wp.me/pTgBK-p9" target="_blank"><img src="http://complexodecassandra.files.wordpress.com/2012/01/m0074.png"></a><font face="times new roman" size="3"><i>"– Passei os últimos dias com um gostoso, quase tão bom quanto os marinheiros ai.

– É mesmo?! E o que ele faz?

– É médico, e pintor nas horas vagas– ela diz– e espanhol.– completa em seguida com uma levantada de sobrancelha.

– Um médico espanhol pintor nas horas vagas, Que máximo. E ele já pintou você?..."</i></font><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=complexodecassandra.wordpress.com&amp;blog=13171884&amp;post=1559&amp;subd=complexodecassandra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://wp.me/pTgBK-p9"><img class="aligncenter" src="http://complexodecassandra.files.wordpress.com/2012/01/0074.png?w=500" alt="" /></a></p>
<p><strong><span style="color:#ff0000;font-size:xx-small;">Linguagem e temas no texto podem ser considerados ofensivos.</span></strong></p>
<p>Uma manhã bem quente e agradável. O vento sopra suavemente de forma que não me meléco toda com suor nem meu cabelo não fica embolado com nós impossíveis de desfazer. Pessoas tomam seus sucos e lanches saudáveis ao meu redor enquanto desfruto de um café amargo e um bom cigarro. Ali largados sobre a mesa tenho um jornal, uma revista de moda e meu celular, além do meu amado maço de cigarros e do cinzeiro.</p>
<p>Realmente não me incomodo de esperar, estou até aproveitando isso.</p>
<p>Homens gordos e mulheres cheias de estrias passam correndo vez ou outra a minha frente, mas logo adiante, na praia, um grupo de homossexuais bem esculpidos joga vôlei.</p>
<p>Eu até ensaio algo parecido com um sorriso.</p>
<p>Pego mais um cigarro no maço e então um isqueiro aceso se estende pra mim.<span id="more-1559"></span></p>
<p>– Acabei me atrasando.– Ellen diz enquanto se senta na cadeira à minha frente.</p>
<p>– Nada amor– digo de forma seca– os marinheiros ali me entreteram na sua ausência.– digo apontando com um leve movimento de cabeça.</p>
<p>Ela vira o rosto que volta com um sorriso.</p>
<p>– Posso saber o motivo de seu atraso?</p>
<p>O sorriso então se estica na cara dela.</p>
<p>– Passei os últimos dias com um gostoso, quase tão bom quanto os marinheiros ai.</p>
<p>– É mesmo?! E o que ele faz?</p>
<p>– É médico, e pintor nas horas vagas– ela diz– e espanhol.– completa em seguida com uma levantada de sobrancelha.</p>
<p>– Um médico espanhol pintor nas horas vagas, Que máximo. E ele já pintou você?</p>
<p>– Algumas vezes nesse final de semana, mais uma antes de eu vir pra cá.</p>
<p>Retiro então um cigarro do meu maço e ofereço pra ela com um sorriso.</p>
<p>– Obrigada!– ela diz pegando-o e acendendo– Então, esse lugar não tem garçons?</p>
<p>– Logo aparece um.– digo depois de dar uma procurada– Conte-me mais sobre esse seu homem.</p>
<p>– Ele é um tipo estranho, todo romântico, até meio bobo, mas eu achei bastante interessante.</p>
<p>Bastante interessante é uma novidade vindo dela. Se interessante significa “deve render uma boa transa” me pergunto o que bastante interessante deve significar.</p>
<p>– Pretende ver ele mais vezes?– pergunto depois de dar uma bebericada no meu café.</p>
<p>Ela dá uma tragada no cigarro e logo depois responde que sim com confiança.</p>
<p>Faço uma cara de interrogação.</p>
<p>– Já vejo, esse ai vai partir seu coração.</p>
<p>– Só teria que achar ele antes.</p>
<p>– E você escondeu?</p>
<p>– Perdi em algum lugar.– diz levantando o braço e fazendo sinal para um garçom gordinho que logo se aproxima.</p>
<p>–Olá!– ela diz.</p>
<p>– Olá senhoras!– O garçom responde meio desajeitado.</p>
<p>– Por favor, eu gostaria de um coquetel de manga.– ela pede com um largo sorriso.</p>
<p>– Mais alguma coisa?</p>
<p>Um dos marinheiros olha na minha direção. Jogo pra ele uma piscada amigável que ele prontamente ignora. Ellen olha pra mim, e eu sacudo a cabeça em negação. O garçom começa a se retirar.</p>
<p>– Querido– Ellen chama, e então o garçom se vira.– Não esquece do meu guarda-sol– Ela diz desenhando no ar um triangulo com o cigarro. O garçom afirma com a cabeça e se retira.</p>
<p>Ela pega a revista da mesa e começa a folhear.</p>
<p>– Como está no trabalho?–  pergunta por trás da revista.</p>
<p>– A nova secretária é uma merda. Dá pra definir a personalidade com o mantra maluco dela. “<em>Make it gayer</em>, se não está bom, faça mais gay.”–eu digo e ela concorda, ainda atrás da revista.– O cabelo dela também é horrível. Eu me pergunto quando as pattys deixaram de carregar chiuauas no colo para carregar poodles na cabeça.</p>
<p>Ela ri.</p>
<p>– Algumas pessoas deveriam ser um aborto.– diz pondo a revista de lado.</p>
<p>O garçom traz o coquetel, com o miniguarda-sol logo ao lado do canudo.</p>
<p>Ela apaga o cigarro no cinzeiro e dá um longo gole no coquetel.</p>
<p>Os marinheiros ficaram com calor e foram todos se banhar no mar.</p>
<p>– Eu não sei explicar– Ellen começa a falar.– mas nos últimos dias fui acometida por uma vontade sobrenatural de colocar meu braço esquerdo num triturador de lixo. Acho que chamam isso de acrotomofilia.</p>
<p>– Não, isso é apotemnofilia. Acrotomofilia é a vontade de ser fodida por um cotoco.– a corrijo.</p>
<p>– Minha amiga intelectual.</p>
<p>– São tempos de inclusão digital, intelectual virou ofensa.</p>
<p>Ela ri e então olha pra cima como que pensando em algo.</p>
<p>– Porra, nem eu sou tão doente a ponto de querer ser fodida por um cotoco.</p>
<p>– Só o suficiente para querer colocar o braço num triturador de lixo.– comento.</p>
<p>– São tempos de retoque digital, auto-destruição se tornou algo construtivo.</p>
<p>– É um diferencial.</p>
<p>Ambas rimos. Então ela olha bem pra mim de forma séria.</p>
<p>– Me conta algo sobre você que eu não saiba?</p>
<p>Sou pega de surpresa. Penso um pouco no que não contei a ela.</p>
<p>– É estranho, talvez ridículo, mas de tempos em tempos me pego vocalizando o obvio.</p>
<p>– Como por exemplo?– ela pergunta colocando os dois cotovelos sobre a mesa, e apoiando o rosto nas mãos.</p>
<p>– Eu não estou feliz.</p>
<p>– É mais importante que você pareça estar bem que estar bem de verdade.</p>
<p>O telefone dela toca e ela atende.</p>
<p>Os marinheiros saíram do mar, observo a água escorrer pelos seus corpos. Dois deles se beijam e eu observo suas ereções tão evidentes naquelas sungas speedo.</p>
<p>Ellen tira da bolsa um batom carmesin de boqueteira e passa na boca.</p>
<p>– Tenho que ir querida.– ela diz se levantando e deixando uma nota de cinqüenta sobre a mesa.– Te amo- diz quase beijando minha cabeça, e então se retira.</p>
<p>Uso o final do meu cigarro para acender um novo.</p>
<p>O garçom que a pouco nos atendeu está olhando pra mim.</p>
<p>Dou um gole do meu café que agora já está frio.</p>
<p>Continuo sentada como fazia antes de Ellen chegar. Estranhamente sinto que ainda estou esperando alguma coisa que não sei o que é. Ignoro isso.</p>
<p>Eu ainda não estou feliz, mas, no momento, fumar mais um cigarro e ver os marinheiros começando uma nova partida de vôlei me são suficiente.<br />
<img class="aligncenter" src="http://complexodecassandra.files.wordpress.com/2012/01/m0074.png?w=500" alt="" /></p>
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		<title>Eu e Minha Maquina de Escrever &#8211; Nota #006</title>
		<link>http://complexodecassandra.wordpress.com/2012/01/06/nota-006/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 22:45:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Luna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[Recomendação]]></category>
		<category><![CDATA[Todos]]></category>
		<category><![CDATA[Escrita]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://wp.me/pTgBK-p0" target="_blank"><img src="http://complexodecassandra.files.wordpress.com/2012/01/m0072.png"></a>Esse começo de ano estou pensando em por em prática algumas ideias.[...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=complexodecassandra.wordpress.com&amp;blog=13171884&amp;post=1550&amp;subd=complexodecassandra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://wp.me/pTgBK-p0"><img class="aligncenter" src="http://complexodecassandra.files.wordpress.com/2012/01/0072.png?w=500" alt="" /></a><br />
Finalmente chegamos a 2012, e, pensando que pode ser minha última chance, resolvi fazer algumas coisas diferentes.</p>
<p>Antes de entrar nessas coisas quero  me desculpar( comigo mesmo na verdade) por mais uma vez ter faltado com minha palavra sobre a regularidade do blog, e por ter entrado num recesso longo sem ter falado nada. Foi um fim de ano bem chato, acreditem.</p>
<p>Pois bem, chegando aos meus interesses, pra esse começo de ano estou pensando em por em prática algumas ideias.</p>
<p>Primeiramente como esforço de me envolver mais com a escrita e  voltar a escrever mais, quero colocar em prática a ideia de adotar escritores. Quero pegar um ou dois escritores de blog, que de alguma forma achem que eu tenha algo a acrescentar a suas escritas, e oferecer crítica e apoio na construção de seus trabalhos.</p>
<p>Obviamente não me considero um escritor profissional, mas acredito que a troca de conhecimento seja completamente válida.</p>
<p>Posteriormente pretendo expandir isso pra um grupo de escritores de verdade, mas por enquanto a proposta é essa. Então se você tem interesse pode deixar um comentário com o link do seu blog aqui ou me mandar um <a href="mailto:luizluna108@gmail.com">e-mail com link ou um texto seu.</a></p>
<p>Ah, não vou me prender muito a estilo ou coisa assim. Além disso não é muito uma competição, eu devo dar resposta a todo mundo que se propuser, mas, mesmo por causa das limitações de tempo só devo acompanhar constantemente aqueles que eu achar que posso ajudar da melhor forma.</p>
<p style="text-align:left;">Em segundo lugar, estou também imaginando a criação de um novo blog, dessa vez compartilhado com outros autores. O tema continuará literário, mas vai possibilitar uma maior abrangência de estilos e opiniões, além da constituição de uma melhor rotina de postagem.</p>
<p>Sendo este blog construído ou não, o Complexo de Cassandra continuará a existir.</p>
<p>Por enquanto isso é tudo. Pretendo retornar ao estilo normal de posts agora, então segunda já deve haver um conto novo aqui.</p>
<p style="text-align:center;">♦</p>
<p style="text-align:left;">Ah, mais uma coisa. Alguns amigos meus começaram seus blogs a pouco tempo, então, ai vão os links:</p>
<p style="text-align:left;"><a href="http://contosatbokmph.blogspot.com/">http://contosatbokmph.blogspot.com/</a> por Thiago Braga</p>
<p><a href="http://loslobos10.blogspot.com/">http://loslobos10.blogspot.com/</a> Por Cássio da Fonseca</p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://complexodecassandra.files.wordpress.com/2012/01/m0072.png?w=500" alt="" /></p>
<br />Filed under: <a href='http://complexodecassandra.wordpress.com/category/todos/monologo/notas/'>Notas</a>, <a href='http://complexodecassandra.wordpress.com/category/todos/recomendacao/'>Recomendação</a>, <a href='http://complexodecassandra.wordpress.com/category/todos/'>Todos</a> Tagged: <a href='http://complexodecassandra.wordpress.com/tag/escrita/'>Escrita</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/complexodecassandra.wordpress.com/1550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/complexodecassandra.wordpress.com/1550/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/complexodecassandra.wordpress.com/1550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/complexodecassandra.wordpress.com/1550/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/complexodecassandra.wordpress.com/1550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/complexodecassandra.wordpress.com/1550/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/complexodecassandra.wordpress.com/1550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/complexodecassandra.wordpress.com/1550/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/complexodecassandra.wordpress.com/1550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/complexodecassandra.wordpress.com/1550/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/complexodecassandra.wordpress.com/1550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/complexodecassandra.wordpress.com/1550/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/complexodecassandra.wordpress.com/1550/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/complexodecassandra.wordpress.com/1550/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=complexodecassandra.wordpress.com&amp;blog=13171884&amp;post=1550&amp;subd=complexodecassandra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Fim do Fim do Mundo</title>
		<link>http://complexodecassandra.wordpress.com/2012/01/05/o-fim-do-fim-do-mundo/</link>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 16:19:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Luna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Todos]]></category>

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		<description><![CDATA[Colagero &#8211; La Fin de la Fin de Monde Está noite tudo está calmo Todas as coisas estão enfim de pé.&#8221; Filed under: Música, Todos<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=complexodecassandra.wordpress.com&amp;blog=13171884&amp;post=1542&amp;subd=complexodecassandra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="http://youtu.be/t6wrEPodMI0" href="http://youtu.be/t6wrEPodMI0" target="_blank">Colagero &#8211; La Fin de la Fin de Monde</a></p>
<blockquote><p><acronym title="Cette nuit enfin, tout est calme">Está noite tudo está calmo</acronym><br />
<acronym title="Toutes les choses tiennent enfin debout">Todas as coisas estão enfim de pé.&#8221;</acronym></p></blockquote>
<br />Filed under: <a href='http://complexodecassandra.wordpress.com/category/todos/musica/'>Música</a>, <a href='http://complexodecassandra.wordpress.com/category/todos/'>Todos</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/complexodecassandra.wordpress.com/1542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/complexodecassandra.wordpress.com/1542/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/complexodecassandra.wordpress.com/1542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/complexodecassandra.wordpress.com/1542/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/complexodecassandra.wordpress.com/1542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/complexodecassandra.wordpress.com/1542/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/complexodecassandra.wordpress.com/1542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/complexodecassandra.wordpress.com/1542/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/complexodecassandra.wordpress.com/1542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/complexodecassandra.wordpress.com/1542/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/complexodecassandra.wordpress.com/1542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/complexodecassandra.wordpress.com/1542/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/complexodecassandra.wordpress.com/1542/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/complexodecassandra.wordpress.com/1542/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=complexodecassandra.wordpress.com&amp;blog=13171884&amp;post=1542&amp;subd=complexodecassandra&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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