Trecho de Norwegian Wood, de autoria de Haruki Murakami

Sobre o que mesmo ela falava?

Lembrei, falava-me sobre o posso no campo. Eu não saberia dizer realmente se esse poço existiu. Talvez não passasse de uma imagem ou símbolo, mero fruto de sua imaginação, tal qual inúmeras outras criações de sua mente naqueles dias sombrios. Todavia, após ouvir sua história, tornei-me incapaz de relembrar a imagem da pradaria sem associá-la invariavelmente a imagem de um poço. Na realidade, em minha mente a imagem do poço que eu nunca vira formava parte indissociável da paisagem. Eu não teria dificuldade em descrever suas características em todos os pormenores. O poço ficava exatamente na divisa onde terminava a pradaria e começava o bosque. A grama cobria o buraco escuro de apenas um metro de diâmetro aberto na terra, escondendo-o engenhosamente. Não havia cercas ou contornos mais elevados de pedra ao seu redor. Era um mero buraco abrindo sua boca. Expostas às intempéries, as pedras da beirada haviam adquirido uma coloração branca estranhamente turva. Apresentavam rachaduras e falhas em alguns pontos. Podiam-se ver uma lagartixa esverdeada esgueirando por uma fenda entre elas. Mesmo tentando me curvar para ver o interior do buraco, eu nada enxergava. Deduzia apenas que era pavorosamente profundo. De uma fundura além da imaginação. E em seu interior, a escuridão comprima-se a tal densidade que como se todos os tipos de escuridão existentes no mundo houvessem sido destilados até o ultimo grau.

- Garanto que é muito fundo, muito fundo mesmo.- disse Naoko escolhendo cuidadosamente as palavras. Às vezes ela se expressava desse jeito. Falava pausadamente buscando as palavras certas.- É fundo mesmo, mas ninguém sabe onde fica. É certo que fica em algum lugar aqui por perto. Continue lendo

Eu e Minha Maquina de Escrever

Aside

Nota #006

Finalmente chegamos a 2012, e, pensando que pode ser minha última chance, resolvi fazer algumas coisas diferentes.

Antes de entrar nessas coisas quero  me desculpar( comigo mesmo na verdade) por mais uma vez ter faltado com minha palavra sobre a regularidade do blog, e por ter entrado num recesso longo sem ter falado nada. Foi um fim de ano bem chato, acreditem.

Pois bem, chegando aos meus interesses, pra esse começo de ano estou pensando em por em prática algumas ideias. Continue lendo

Le Pacte des Loups


Sabe aqueles filmes franceses de arte chatos? Então, eu adoro esses filmes, mas o filme que vou falar agora não se encaixa nesse grupo.

Depois da minha vibe asiática de cinema, resolvi visitar o cinema francês, mas me distanciar um pouco desses filmes de arte. Dei de cara com dois filmes. O primeiro foi Rios Vermelhos, que é um filme muito bom de suspense, no estilo Se7en. O segundo foi esse filme, que me conquistou de verdade. Continue lendo

Manifesto Holstee

Manifesto Holstee

 Essa é sua VIDA. Faça o que você ama, e faça com frequência. Se você não gosta de alguma coisa, mude-a. Se você não gosta do seu trabalho, se demita. Se você não tem tempo suficiente, deixe de assistir TV. Se você está procurando pelo amor na sua vida, PARE; Ele vai estar esperando por você quando começar a fazer as coisas que você ama. Pare de analisar demais, todas as emoções são lindas. Quando comer, aprecie cada última mordida.  A vida é simples. Abra sua mente, seus braços e coração para coisas e pessoas novas. Pergunte a próxima pessoa que vir qual a paixão dela, divida com essa pessoa seus sonhos mais inspirados. Viaje com frequencia; se perder vai ajuda-lo a se encontrar. Algumas oportunidades só surgem uma vez, aproveite-as. Vida é sobre as pessoas que você conhece e as coisas que você cria com elas, então saia e comece a criar alguma coisa. A vida é curta. Viva seu sonho e compartilhe sua paixão.