Minha Comédia

Sombra

Linguagem e temas no texto podem ser considerados ofensivos.

O quarto estava quase completamente escuro quando acordei, a única luz era a luz fraca que vinha da lua que entrava pela janela atravessando a fina cortina. Em frente ao meu armário uma figura com mais de dois metros, parada, me observava. Ela não tinha olhos, na verdade sequer possuía um rosto. Seu semblante era uma mascara branca com uma língua de uns trinta centímetros se contorcendo e pregada no lugar onde deveria haver uma boca. Após um tempo observando, enquanto meus olhos se adaptavam a falta de luz, percebi que aquilo não era exatamente uma língua. Ao longo daquela coisa, pequenas pernas de centopéia, dezenas delas, e em sua ponta um ferrão.

Eu não senti medo nem ao menos um momento e prontamente perguntei “Quem é você?” Ler mais

Amanda – 08

CamaÍndice

Antes de sair para atender a porta, ela agachou-se e pós novamente a carta na gaveta, fechando e a trancando com a chave logo em seguida. Saiu então pela porta quase correndo, me deixando com aquela sensação de esquecimento, sem saber se deveria segui-la ou esperar no quarto. Como ficar sozinho no quarto de uma mulher é uma situação que acho muito intima e invasiva, resolvi segui-la até o final do corredor que dava na sala.

Quando cheguei lá ela já estava abrindo a porta. Era uma carteira, que lhe entregou um punhado de cartas. Não posso deixar de mencionar aqui que o fato do carteiro sequer passar na minha casa, e da mulher carteira tocar a campainha dela e entregar as cartas pessoalmente, me irritou profundamente. Cheguei a conclusão que elas eram conhecidas, e isso diminuiu minha irritação. Aliás, esse foi um dos pensamentos mais concretos que tive durante esse dia, mas foi logo seguido por uma fantasia de que ela pertencia a uma misteriosa sociedade secreta milenar de carteiros. Ler mais

Amanda – 07

CháÍndice

Eu sei leitor, você já deve estar cansado de todas essas interrupções justamente no momento onde esse mistério está para ser resolvido. Escrevo dessa vez, mais uma interrupção, apenas para lhe adiantar e deixar claro que não haverão mais interrupções, ao menos referentes ao assunto das cartas. Então se ainda tem curiosidade, peço que ignore sua frustração e continue lendo, caso contrário, agradeço muito por ter chegado até aqui, sinto muito que deseje partir, e fico a esperar que a curiosidade o faça voltar.

Para os que ficam, siga adiante para conhecer os fatos envolvendo as cartas, ou vá tomar um café ou um chá e cuidar de suas coisas por um tempo, fazendo sua curiosidade e expectativa crescerem um pouco mais, logo com que, segundo estudos em psicologia cognitiva, sua frustração seja muito maior caso essa revelação não o agrade.

Amanda – 06

GavetasÍndice
–Me acompanhe.– disse ela seguindo pelo corredor por onde outrora desejei segui-la.

Dessa vez não contive meu desejo e caminhei logo atrás dela, lentamente enquanto imaginava que estávamos indo para o quarto dela. Mais uma vez tentando fugir dos meus pensamentos irracionais, pensei que estávamos indo para a cozinha. Passamos pela cozinha e não entramos. Pensei que talvez ela quisesse que um homem arrumasse algo no banheiro, mas vi que passamos por ele também. Restavam duas portas no final do corredor, uma obviamente era o quarto dela, a outra eu não conseguia imaginar o que era. Não importa o que fosse essa outra porta, imaginei que ela estava me levanto pra lá. Contendo meus pensamentos felizes e delirantes, pensei que aquilo era um escritório, vendo que ainda assim, pensamentos impuros batiam sobre a minha mente, pensei que aquele era um matadouro e que a partir daquele dia ninguém nunca mais me veria ao menos vivo, ou talvez ainda com todos os meus membros. Ainda assim os pensamentos impuros ficaram pulando e festejando em minha mente. Ler mais

Amanda – 05

AmandaÍndice
Quando chegamos na casa dela já era inicio de noite. Felizmente, a falta de luz bateu sobre a porta de uma forma que as leis da física fizeram  com que a intimidadora porta amarela se tornasse uma porta verde clara e praticamente desprezível. Ela abriu o portãozinho verde me pedindo para entrar, e dessa vez já tinha a chave em mãos, fazendo com que passássemos pela imponente porta amarela, agora uma simples porta verde, rapidamente e sem mais delongas.

Sei que não descrevi esse aposento na vez anterior em que mencionei minha presença nele, talvez porque não houvesse nada digno de ser mencionado mesmo. Era uma sala comum, com um sofá em frente a um aparelho de tv. Uma mesa de centro entre eles. Papel de parede de flores, dando um ar bastante agradável ao lugar, e vontade de tomar café. Aqui e ali mesinhas com flores, que, não havia eu percebido da primeira vez, eram de verdade, o que deve ser a maior diferença da sala dela, para uma outra sala qualquer. Ler mais

Amanda – 04

nullÍndice
Enquanto corríamos, eu pensava sobre como minha tortura continuaria dentro do ônibus, e sobre como eu deveria pensar em mais coisas para falar com ela. Decidi que criaria uma boa explicação para o porquê de eu ter saído correndo da casa dela.

Entramos no ônibus e, para o que eu pensei ser meu azar naquele momento, havia um par de assentos livres lado-a-lado. Sentei na janela, e ela ao meu lado. Pronto, teríamos que começar a conversar e eu ainda não tinha inventado minha desculpa. Ela ia dizer algo, muito provavelmente perguntar sobre aquele acontecimento, mas foi interrompida por um bip. Era meu celular. Peguei para ler uma mensagem. A mensagem dizia algo como “compre créditos até o dia tal e ganhe um bônus de tanto”. Ler mais

Amanda – 03

SalaÍndice
Tendo passado mais um dia, a certeza de que iria encontrá-la novamente na faculdade, fora, a incerteza do nome dela, que depois de muito pensar havia eu decidido que era um nome que começava com a letra “B”, me deixaram extremamente ansioso e desconcentrado.

Naquele dia cheguei na faculdade olhando para todos os lados, procurando por ela, e ainda, de certa forma me escondendo. Eu tinha bastante medo de vê-la e ter que explicar minha fuga no dia anterior. Ainda assim, eu tinha que admitir de que não conseguiria evitar isso além da aula cujo nome é uma seqüência de consoantes que muito provavelmente explicam o assunto principal da matéria. Era a única aula que fazíamos juntos, fora isso meu único problema seria esbarrar com ela em um daqueles corredores pintados de cinza, o que não ocorreu até a hora de nossa aula. Ler mais