Vozes

O texto possui conteúdo e linguagem que podem ser considerados ofensivos.

“Você quer se matar?”

Eles perguntam.

Você tem que excluir a conta do facebook, apagar o twitter, parar de atender o telefone e responder e-mails, parar de dar as caras por várias semanas, e então, só então, eles  vem e pergunta se você está bem. Se está pensando em pular de algum lugar, colocar um pedaço de lençol em volta do pescoço, passar gilete nos pulsos, tomar um pouco mais de comprimidos do que é necessário.

A mesma pergunta.

“Você quer se matar?”

Por quê?

Porque você não pode pensar em me matar. Se você pensa sobre socar o médico, tudo bem. Se você pensa sobre cortar o rabo do gato, ótimo. Se você pensa em violentar uma jovem em idade pré-escolar com uma tesoura, PERFEITO!
Você só não pode pensar sobre se matar.

É assim que funciona.

É assim que as pessoas são.

Perguntam porque você pensa esse tipo de coisa.

São idiotas.

Você não quer estar sozinha.

Mas também não deve ficar cercada de gente imunda.

Saco de Pancadas

O texto possui conteúdo e linguagem que podem ser considerados ofensivos.

Bem, tudo começou na escola, no ensino médio, foi meio que uma brincadeira. Esse meu amigo queria impressionar uma garota mais velha de outro colégio e eu com minha cara de delinquente acabei servindo para o plano louco dele.

Ela saía do colégio bem tarde e andava por muito tempo, por lugares bem ruins. Num desses pontos no caminho entre o colégio e a casa dela, ela e esse meu amigo sempre se encontravam, e ela simplesmente ignorava a existência dele.

Então num desses dias no meio do caminho, um pouco antes do lugar onde eles costumavam se cruzar, eu apareci, com um capuz segurando uma faca de cozinha, daquelas de serra, e gritando algo como, “passa a carteira beleza”. Pensando bem agora, foi realmente uma atuação deprimente, mas acredite, a maioria das pessoas não liga para isso quando está numa rua escura, sozinha com um cara que segura algo brilhante e pontudo. Na verdade uma mulher vai temer que se use o algo pontudo para que outra coisa pontuda entre nela. Voltando, eu estava lá, e ela também, tremendo e com medo nos olhos. Na verdade aqueles olhos me incomodaram muito, eu estava quase dizendo que era brincadeira quando pum, o maldito do meu amigo me deu uma porrada com o Skate sem sequer controlar a força. Continue lendo

Lobo e Cordeiro

Acompanhamento opcional – http://www.rainymood.com/

É uma noite fria e silenciosa lá fora, do tipo que faz prestar atenção no som de cada carro que passa na rua. As gotículas de chuva se acumulam na janela até que pulsam pelo vidro. Quando relaxo meus olhos consigo observar meu próprio reflexo, quase que perfeito coberto por aquelas gotas de chuva que o ignoram completamente. Completamente apático o olhar dele parece esperar alguma coisa de mim no meio da escuridão. Na minha falta de algo para lhe oferecer dou-lhe as costas.

A cozinha é bonita e bem iluminada, tem um visual que talvez eu possa chamar de alegre. Os azulejos são todos de um tom amarelo bem claro, a noite parecem brancos. Alguns têm desenhos cartoonescos de gatos, ovelhas, vacas e outros animais, enquanto outros são só esse tom amarelo vazio. Os armários são de madeira, pintados de branco. A geladeira é de aço cromado e reluzente.

Quando pego uma faca com cabo de metal na gaveta da cozinha sinto o frio correndo da minha mão, cortando do antebraço até meu cérebro e voltando na forma de tremor. Continue lendo

Coisas no Telhado – Versão II (+18)

O texto possui  conteúdo sexual e linguagem que pode ser considerada ofensiva.

O vento no terraço era suave e o dia estava quente, o que fazia daquele lugar especialmente agradável. Ana sentia o vento acariciando todo seu corpo, batendo em seu peito, contornando por baixo dos pequenos seios, circundando e descendo por sua bunda com um lindo formato de coração. Mona, já vestindo uma camisa formal abotoada, aproveitava a visão daquela bunda pequena e bem formada enquanto dobrava um cobertor grosso que havia levado ao terraço. Terminou de juntar algumas coisas espalhadas e sentou-se, apoiando as costas num conjunto de telhas. De uma bolsa tirou um isqueiro e um maço de cigarros quase vazio.

- Eu gosto daqui, o vento é tão confortável. E o ar é quente de uma forma afável.- disse Ana virando-se, fazendo com que seus raros pentelhos esvoaçassem com o vento. Continue lendo

Coisas no Telhado

— Eu gosto daqui, o vento é tão confortável. E o ar é quente de uma forma afável.
— Ok, pare de falar e vista seu uniforme.
— Me dá um cigarro?
— Esse é o último.
— Então me dá uma tragada?
— Não, você não tem idade pra isso.
— Vai se foder.
— Sentai ai, se ficar em pé alguém vai nos notar aqui no telhado. Continue lendo

Mais Dias de Chuva

Destaques

As luzes do metro deixam tudo com uma tonalidade pálida. As outras pessoas paradas na plataforma pareciam zumbis, e acho que eu devia parecer um também para elas. Era noite de sexta-feira, eu esperava ver as pessoas mais animadas, mas mesmo eu que estava indo para uma “festa” estava um tanto pra baixo.

Mais um trem chegou na estação e partiu sem que eu subisse nele. Já estava esperando a mais de uma hora, mas, para falar a verdade, o atraso não me incomodava tanto. Não é como se eu fosse a pessoa mais ocupada do mundo, apesar do estágio e da faculdade. O que me incomoda realmente em ter que esperar uma pessoa é um medo que sempre me bate. Sempre acho que vou esquecer o rosto da pessoa que estou esperando, de que não vou reconhecê-la. Continue lendo